A genialidade de Jimi Hendrix, muito além da compreensão

Estadão

27 de novembro de 2012 | 22h15

Jimi Hendrix com certeza teria transposto das fronteiras do rock há muito tempo, se estivesse vivo. Teria criado novos sons, inigualáveis, e poderia ter criado um novo gênero musical, único e exclusivo, seguindo a trilha de gênios como Miles Davis. Essa é a impressão geral que o mundo da música tem a respeito do melhor guitarrista que já existiu, mas que foi verbalizada por ninguém menos do Eric Clapton em uma entrevista nos anos 90. A comparação foi muito feliz, pois é inevitável constar hoje: o rock, ou qualquer rótulo, é muito restrito para o gênio da guitarra. Morto em setembro de 1970, em Londres, Hendrix completaria 70 anos de idade neste mês de novembro. Ele construiu a sua própria etermidade e é um dos símbolos da genialidade artística e musical. O texto abaixo é uma pequena homenagem para relembrar os 70 anos do nascimento de um dos maiores nomes da música. (Marcelo Moreira)

David Oaski – publicado originalmente no site Ideologia Rock 

Não há como fugir desse clichê, Jimi Hendrix é o melhor guitarrista de todos os tempos, considerado por dez entre dez guitarristas. Você pode ter suas preferências, mas o norte americano, canhoto e negro ultrapassou todos os limites que qualquer rótulo que pudesse ser aplicado.
 
Nascido em Seattle, Jimi foi descoberto por empresários ingleses, fato que fez com que ele primeiramente estourasse na terra da rainha, chamando atenção desde suas primeiras atenções dos Beatles, de Eric Clapton, Jeff Beck e toda safra de músicos geniais que habitavam a Inglaterra no final dos anos 60 e começo dos 70.
 
Durante sua meteórica carreira, lançou três discos com sua principal banda, The Jimi Hendrix Experience, ao lado do baixista Noel Reeding e do baterista Mitch Mitchell, revolucionou a música, desde seu primeiro disco, considerado por muitos, como sendo o melhor disco de estreia de todos os tempos, o debut “Are You Experienced”, de 1967,  já continha tudo, como se ele soubesse que havia pouco tempo nesse plano.
 
Clássicos como “Foxy Lady”, “Purple Haze”, “Hey Joe” e “Fire” dão ao disco um tom de greatest hits, tornando sua audição fascinante pra qualquer ser humano com mais de dois neurônios ativos. Ecoam pelo álbum desde psicodelia ao funk, passando pelo soul e o rock da época, tendo como cereja do bolo a onipresente guitarra do gênio, dando suingue a tudo, abrilhantando cada acorde.
 
Somente seis meses depois, a banda lançaria o chapado “Axis: Bold as Love”, esbanjando psicodelia, o álbum é o menos lembrado da curta discografia de Jimi, porém contém as incríveis “I 6 Was 9”, “Up From The Skies” e “Little Wing”, que são joias que muita banda com vasta discografia não possui.
 
Já em 1968, eles lançariam o que seria o último registro em estúdio lançado em vida por Hendrix, “Electric Ladyland” traz novamente Jimi beirando a perfeição ao longo das dezesseis faixas desse disco duplo, que possui o clássico “Voodoo Child”. Novamente se vê uma miscelânea sonora, num caldeirão de influências apimentado pelo talento do guitarrista.
 
Após o final da The Jimi Hendrix Experience em 1969, Hendrix ainda lançaria o disco ao vivo “Band of Gypsys”, dessa vez ao lado do baixista Billy Cox e do baterista Buddy Miles. Ainda seriam lançados inúmeros álbuns póstumos após a morte de Jimi.
 
Em setembro de 1970, Hendrix faleceu, com causas até hoje misteriosas, sendo a possibilidade mais convincente a de que ele tenha se engasgado com o próprio vômito após uma bebedeira infinita numa festa na noite anterior. Hendrix teve uma vida desregrada – como quase todos artistas da sua geração – com abusos de drogas, bebidas alcóolicas e remédios, o que acabou lhe custando a vida, aos 27 anos de idade.
 
Apesar da vida breve e dos poucos lançamentos em vida, Jimi Hendrix deixou um legado quase que incomparável na história não só do rock, mas da música mundial, sendo um dos poucos que faz jus a alcunha de gênio. Dosando na medida certa, virtuosismo, técnica e muito talento, deu o norte para todos que empunharam o instrumento a seguir, virando uma espécie de guru adorado por todos que apreciam o instrumento das seis cordas. 
 
É quase impossível pensar em Jimi Hendrix e não se lembrar da incrível cena do mesmo incendiando sua guitarra no festival Monterrey, em 1967 e ela traduz muito o que foi o músico: incendiário. Tocou fogo no mundo da música e saiu fora, deixando o incêndio totalmente fora de controle.

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