A ferocidade do Pantera na obra que definiu o groove metal

Estadão

19 de junho de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

A única banda de heavy metal capaz de enfrentar o então incipiente movimento grunge de Seattle. O quarteto texano Pantera foi obrigado a conviver com este pesado fardo quando lançou o clássico “Vulgar Display of Power”, em 1992, o sexto álbum de sua carreira, mas o segundo após a mudança radical de sonoridade.

Enquanto Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden enterravam o som comercial e artificial que tomou conta do hard rock do final dos anos 80, as bandas mais pesadas e as clássicas entravam em parafuso na falta de criatividade e nas crises internas – Black Sabbath, Judas Priest e Guns N’Roses, por exemplo. Só a criatividade e inteligência do Metallica e a guitarra feroz e inventiva de Dimebag Darrell poderiam fazer frente às bandas de Seattle.

“Vulgar Display of Power”, que ganha agora, 20 anos depois, uma versão de luxo com CD e DVD, conseguiu reunir em um só trabalho um peso absurdo, violência sonora e uma agressividade que era rara naquele ano de 1992.

Mas qual a grande novidade que o quarteto apresentava, já que o metal extremo (thrash, death e black metal) estava bem estabelecido, ainda que no underground? Por que o som agressivo e pesado do Pantera caíram no gosto do grande público em geral, senso que gigantes do metal como Exodus, Testament, Overkill e Anthrax não tinham atingido tal patamar?

Correndo o risco de cometer injustiças, pode-se dizer que a resposta imediata está em Diamond “Dimebag” Darrell, o guitarrista insano e criativo que colocou um groove até então inexistente no som pesado. Ele já era o destaque da banda na primeira fase, quando o Pantera lançou quatro álbuns entre 1984 e 1988 na linha do hard rock mais farofa que existia, na trilha de Motley Crüe e Poison.

Suas melodias eram diferentes e variadas, com trocas de escalas inspiradas e uma velocidade incomum para o estilo. Quando o cantor Terry Glaze decidiu sair em 1989, abriu-se um novo mundo para o Pantera. Phil Anselmo assumiu os vocais, e Terry Date a produção de “Cowboys from Hell”, de 1990, uma porrada em todos os sentidos, com uma sonoridade quase thrash e vocais insanos e desesperados de um vocalista acossado por algo assustador.

O sucesso do álbum foi a chama para que avançar ainda mais em “Vulgar”. A produção melhorou e a bateria de Vinnie Paul (Vincent Abbott, seu nome verdadeiro), irmão de Dimebag, cresceu de tal forma que se tornou parte indissociável do Pantera, com sua sonoridade que mesclava o peso e a intensidade de John Bonham (Led Zeppelin) com a versatilidade de Cozy Powell (Rainbow, Whitesnalke, Black Sabbath).

O disco todo é excelente, mas ainda assim há destaques, como a pedrada “Mouth For War”, a agressiva “Fucking Hostile”, a veloz e potente “Walk” e as baladas “This Love” e “Hollow”.

A versão de luxo que chega agora às lojas – lançada no exterior pela Rhino Records e no Brasil pela Warner –, traz uma música inédita, uma sobra de estúdio da época, a música “Piss”. O DVD bônus é curto, trazendo três videoclipes e cinco músicas gravadas em um show na Itália em 1992.

Dimebag Darrell seguiu guiando o Pantera até o fim do grupo, em 2002, após desavenças dele e de Vinnie Paul com Anselmo. Os irmãos logo formaram o Damageplan, que terminou tragicamente com o assassinato do guitarrista em pleno palco, em 2004, na turnê de divulgação do primeiro trabalho do grupo.

Dimebag estava no solo da primeira música em uma apresentação em uma pequena casa noturna nos arredores de Columbus, no Estado de Ohio, quando um fã furou o frágil bloqueio de seguranças, invadiu o palco e atirou duas vezes no guitarrista, gritando “Você ferrou o Phil (Anselmo)”.

 O assassino acabou abatido quase que imediatamente, alvejado por um policial, e morreu minutos depois. Foi o primeiro astro do rock a ser assassinado em pleno palco.

 

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