A banda Huaska tenta emplacar a sua 'bossa metal'

Estadão

26 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Em tempos onde a grande novidade musical mundial é um indigente artístico como o brasileiro Michel Teló, não surpreende que haja um vale tudo para se destacar no meio do entretenimento, onde a quantidade de lixo atualmente é estonteante.

Então, sendo assim, enquanto cada “novidade artística” dura 30 segundos, o que se tem a perder? Por que não arriscar, mesmo que haja o risco de parecer ridículo? Por isso é de se louvar a coragem da banda paulistana Huaska.

Um bom amigo (não vou entregar quem é, tenho dó do cara) recomendou que eu ouvisse com atenção umas três músicas com videoclipe no YouTube. Moderadamente empolgado, ele logo rotulou os garotos: “heavy metal bossa nova”. Quando se ouve tamanha hipocrisia, dá medo. Mas encarei o desafio.

No twitter já se fala um “bossa metal”, seja lá o que isso signifique. O fato é que os meninos paulistanos misturam cavaquinho, uma cuíca discreta, guitarras distorcidas, vocais secundários ao estilo death metal (no caso da pesadinha “Sua Beleza Me Faz Mal”) e letras no melhor estilo emo, com pitadas de coisa de dor de corno típicas de duplas sertanejas. O resultado não é bom.

A música já citada é um amontoado de clichês do new metal com o pior do que o emo produziu nos últimos dez anos. Não basta gritar, urrar e distorcer a guitarra para achar que se faz uma música boa. Mas é necessário louvar a coragem do grupo.

A música “O Machete” é um primor de ousadia (no pior sentido), audácia e pretensão. A letra supostamente é baseada no conto “O Machete”, de Machado de Assis, mas também não passa de clichê emo, com toneladas de desilusão infanto-juvenil.

A introdução com violoncelo e cavaquinho é algo inusitado, mas a novidade para por aí. A tal da bossa metal não funciona. Serve como penduricalho para uma música que remete imediatamente ao antiquado CPM 22.

O grupo foi formado em 2002 em São Paulo e tem hoje na formação Rafael Moromizato (voz), Alessandro Manso (violão/guitarra), Carlos Milhomem (guitarra), Caio Veloso (bateria) e Júlio Mucci (baixo). Já são dois álbuns lançados – “É chá de Erva Doce” (2006) e “Bossa Nenhuma” (2009), sendo que preparam o terceiro, “Samba em Preto”, que será lançado em breve.

No verbete postado na Wikipedia, o grupo faz “rock alternativo pesado em português com uma sonoridade brasileira. Seu estilo característico, que combina new metal, hardcore e metal com gêneros brasileiros, como o samba e a bossa nova, foi batizado por um jornalista de Minas Gerais como ‘bossa metal’, termo que a banda passou a adotar”.

Nem tudo o que é diferente ou novidade é uma boa ideia. No caso da tal “bossa metal”, claramente a “ideia” não funcionou, mas parece que ninguém disse aos meninos do Huaska.

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