1967, o ano que não terminou

Estadão

14 de agosto de 2010 | 20h08

Marcos Burghi

Em cartaz nos cinemas, o documentário Uma Noite em 67, que conta, por meio de imagens de época e entrevistas recentes, a história do polêmico II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Vencida por Edu Lobo e Marília Medalha com Ponteio (Edu Lobo/José Carlos Capinan), a disputa consagrou Caetano Veloso, quarto colocado com Alegria, Alegria, e Gilberto Gil e os Mutantes, intérpretes de Domingo no Parque (Gil), colocando o Tropicalismo na ordem do dia da cultura nacional.

Os roqueiros mais empedernidos devem estar se perguntando: que raios o fulano vem falar de MPB em um blog de Rock? Quis usar o documentário, que conta um fato importantíssimo para a cena pop brasileira ocorrido em 1967, para lembrar que, no caso do Rock, aquele ano foi um divisor de águas na história. Foi o ano de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o álbum dos Beatles que mudou por completo o rumo do gênero. Além dos arranjos orquestrados e as letras lisérgicas, a foto da contracapa mostra George, John e Ringo de frente e Paul de costas o que, para alguns, era um sinal da morte do mais completo músico do quarteto de Liverpool.

O ano de 1967 marca, ainda, a estreia em disco dos Doors que, titulado com o nome da banda, abre com Break on Thorough e sua “levada Bossa Nova”. No livro Rock Progressivo, Valdir Montanari incluiu o grupo como um dos expoentes do estilo, alegando que Jim Morrison deu novo status às letras de rock, com referências literárias que lhe valeram a alcunha de “Rimbaud do Rock”, alusão ao poeta francês Jean Nicholas Arthur Rimbaud (1854-1891).

Também aconteceram em 1967 o Festival Monterrey Pop, que legaram ao grande público Janis Joplin e Jimmy Hendrix, e o lançamento do primeiro disco do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn, marcadamente influenciado por Sgt. Peppers, como quase tudo o que foi produzido naquele ano.

Merece ainda destaque o disco Buffalo Springfield, lançado originalmente um ano antes e relançado em 1967 com a inclusão da faixa For What it’s Worth, canção composta por Stephen Stills sobre as manifestações da juventude hippie contra a guerra do Vietnã. 1967, o ano que não terminou….

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