Chris Slade, ex-AC/DC, se diverte pelo Brasil nas vésperas do Natal

Estadão

22 de dezembro de 2012 | 22h45

Marcelo Moreira

A banda Rising Power mostrava um pouco de nervosismo no palco do Blackmore Bar, na zona sul de São Paulo. Uma das melhores bandas especialistas do Brasil, os quatro rapazes só tinham feito um dia de ensaios com o convidado mais do que especial.

A véspera do feriado prolongado prejudicou o evento, mas isso não foi levado em conta pelo baterista galês Christopher Rees, que é conhecido como Chris Slade, veterano músico que passou por AC/DC, Uriah Heep The Firm (banda de Jimmy Page e Paul Rodgers, entre outros.)

Baixinho e sempre sorridente, Slade mostrou porque é um dos músicos mais requsitados e admirados do rock europeu: ele realmente gosta do faz, seja onde for e qual for a circunstância. Acompanhado da competente banda de apoio brasileira, o baterista se divertiu bastante e demonstrou estar curtindo bastante estar em São Paulo, em pleno Natal, tocando para pouco mais de 200 pessoas, a imensa maioria fanática por AC/DC.

E foi a banda australiana o foco de toda a apresentação, com 14 músicas em uma hora e 40 minutos de um show legal, bastante descontraído e agradável. Slade ficou apenas cinco anos no AC/DC, mas tocou de forma admirável canções de todas as fases do grupo. O homem bate pesado, com uma pegada bem energética, bem hard rock, revelando o músico de alta qualidade que é.

Chris Slade no Blackmore Bar (FOTO: LUCIANO PIANTONNI)

Slade não se limitou aos hits do AC/DC. Ok, estiveram no set list os hinos “Back in Black”, “Hells Bells”, “You Shook All Night Long”, “Highway to Hell” (com a cantora Cíntia Mara, do Pleiades, no vocal) e “High Voltage”, mas também houve pérolas, como “Shot Down in Flames”, “Girls Got Rhythm”, “Dirty Deesd Done Dirt Cheap” e as esperadas “Money Talks” e “Thunderstruck”, do álbum “Razor’s Edge”, o único de estúdio com a sua participação.

Não é sempre que se pode presenciar uma banda cover com um dos ex-integrantes do grupo original. Slade mostrou que é um músico muito bom e esbanjou bom humor e educação.

Nada mau para um senhor que está em plena forma aos 66 anos de idade e que não se importou de sair da Inglaterra para passar o Natal no Brasil tocando com um grupo de músicos brasileiros talentosos.

A turnê do baterista pelo Brasil começou no dia 10 em Belo Horizonte, passou por Sete Lagoas (MG), São Paulo e terminou no dia 22 de dezembro em Campinas (SP). No dia 29, Slade é a atração em um pequeno festivam em Lugano, na Suíça.

Duelo com o guitarrista em São Paulo (FOTO: LUCIANO PIANTONNI)

Longa carreira fora do AC/DC

Nascido em uma pequena cidade do País de Gales em 1946, o garoto Christopher Rees já mostrava talento para a música, seja tocando um pouco de guitarra ou espancando a bateria.

Como bateristas eram artigo em falta na Grã-Bretanha no início dos anos 60, era constantemente requisitado, mas seu estilo, digamos assim, vigoroso de bater nos tambores assustava um pouco o público e os músicos com quem tocava.

Por conta disso, passou um pouco despercido nos anos 60, mesmo com as constantes idas a Londres e Belfast (Irlanda do Norte) para tocar. No entanto, a grande chance veio com o convite para assumir em 1972 as baquetas da banda Manfred Mann’s Earth Band, um grupo de relativo sucesso entre 1969 e 1972 seguindo ma linha psicodélica/progressiva.

A banda já tinha optado por uma linha mais pesada, quase hard rock, em 1972, e o estilo de Chris Slade (nome adotado no fim dos anos 60) se encaixou perfeitamente. Foram seis anos com o grupo e sete álbuns lançados.

Mesmo taridamente se transformando em músico profssional de fato, seu trabalho chamou a atenção de Mick Box, guitarrista e chefe do Uriah Heep. Acabu convidado para substituir Lee Kerslake no álbum “Conquest”, em 1980. Kerslake na época saíra do Heep para se juntar à banda Blizzard of Ozz, de Ozzy Osbourne.

Com a volta de Kerslake, em 1982, o baterista careca – sua marca registrada – imediatamente começa a trabalhar com o cantor Paul Rodgers, que estava de saída do Bad Company. A amizade e o entrosamento com o cantor o levaram ao ambicioso projeto The Firm, que tinha os dos mais o baixista Tony Franklin  e o guitarra Jimmy Page, ex-Led Zeppelin.

O grupo The Firm casou impacto, mas não o esperado. Durou dois anos e rendeu apenas dois áálbuns, acabando em 1986. Slade ainda trabalhou bastante na carreira solo de David Gilmour (Pink Floyd), Gary Moore e Gary Numan antes de aceitar substituir Simon Wright no AC/DC, em 1988.

Foram seis anos com o grupoo australiano – o seu auge na carreira -, mas apénas um álbum de estúdio gravado e a participação em um álbum ao vivo. Em 1994, acabou sendo dispensado para dar lugar a Phil Rudd, o baterista da formação clássica e que tinha saído no começo de 1983. Segundo Angus Young disse à época, “Rudd tinha mais o jeito AC/DC de tocar, não tão pesado, com mais ritmo”.

O baterista se tornou um requisitado músico de estúdio e de turnês rápidas, mas decidiu que era hora de voltar à estrada e integrou o Asia por seis anos, até que em 2005 optou por uma vida mais calma, nos estúdios e como músico contratado para turnês.

Atualmente está envolvido em um porjeto de hard rock com o baixista Pete Way (temporariamente afastado do UFO por problemas de saúde) e o guitarrista Robin George chamado Damage Control. O projeto, no entanto, está em hibernação justamente pelos problemas de saúde do baixista.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.