15 anos de Los Hermanos

Estadão

28 de abril de 2012 | 22h31

PEDRO ANTUNES

Quando lançaram seu derradeiro disco de estúdio, 4, há sete anos, os Los Hermanos eram protegidos por uma aura de louvação quase tão impenetrável quanto as barbas mantidas por eles na época. E, a cada nova geração que os descobre, isso se mantém – mesmo que seus integrantes estejam afastados dos estúdios e tenham entrado em hiato desde 2007, com retornos ocasionais para shows, como o mais recente, no SWU, há dois anos, em Itu.

Último grande fenômeno musical aclamado por público e crítica, o grupo formado por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, ambos voz e guitarra, o tecladista Bruno Medina e o baterista Rodrigo Barba decidiu se reunir novamente para uma nova turnê, que coincide com o aniversário de 15 anos de banda. O que seriam 15 shows (coincidência?), tornaram-se 24. A maratona tem início hoje, no Recife, na noite de abertura do festival Abril Pro Rock. Desse total de apresentações, apenas um terço delas ainda tem ingressos disponíveis. Em São Paulo, foram abertas quatro datas (12, 13 e 31 de maio e 1.º de junho), no Espaço das Américas, na zona oeste, mas todas se esgotaram rapidamente.

Em seu blog, Instante Posterior, o tecladista Bruno Medina despista a ideia de um novo e quinto disco da banda: “Quanto à possibilidade de um novo disco, não sei, não existe nada combinado, nunca sequer conversamos sobre isso. Acho que tudo depende muito do que vai acontecer nos próximos meses. Se isso efetivamente vier a se tornar realidade, no entanto, não será por agora”.

Sem músicas novas, os fãs podem se deliciar com o apetitoso lançamento da discografia da banda em vinil, pela Polysom. Os quatro álbuns serão vendidos separadamente e reunidos numa caixa de luxo. O lançamento chega às lojas no fim do mês, mas ainda não teve o preço divulgado.

Los Hermanos, o disco lançado em 1999, era um veloz álbum de hardcore com canções de amor. Aos poucos, as distorções foram colocadas de lado por Camelo e companhia. E a partir de Bloco do Eu Sozinho (2001), a banda passou a flertar com a MPB e o samba. Caminho seguido por Ventura (2003) e 4 (2007).

A transformação, aliada à sonoridade delicada, aos arranjos bem orquestrados e às letras inspiradas, criou não apenas um séquito de fãs, mas inspirou uma nova geração de bandas. De olho nisso, o site A Musicoteca  www.amusicoteca.com.br), conhecido por disponibilizar download gratuitos de álbuns de grupos novatos, decidiu fazer uma homenagem aos Los Hermanos a seu modo: reuniu 33 artistas – a maior parte deles jovem – para tocar canções da banda. O projeto, lançado no início do mês, levou o nome Re-Trato e precisou ser dividido em dois discos que, juntos, já foram baixados 25 mil vezes.

“Todos os artistas escolhidos foram influenciados pelos Los Hermanos. Ou influenciaram, como é o caso do Velhas Virgens e o Lula Queiroga. Queríamos mostrar que existe, sim, uma galera que se inspirou neles, mas desmistifica a ideia de que todas as bandas fazem um som parecido”, diz o editor do site, Weberth Mota.
Além dos já citados veteranos, a coletânea abrange mais de uma geração.

Róbson Pélico, cantor e compositor de 35 anos, acostumado a cantar sobre desamores, fez uma versão visceral de Condicional. Já Bárbara Eugênia, de 31, a princípio optou por uma versão minimalista de O Pouco Que Sobrou, mas o som da sua banda foi se impondo e o que seria um samba-canção tornou-se soturno. “Com exceção do primeiro disco, ouço muito Los Hermanos. Acho que existe, sim, uma influência, mesmo que indireta”, diz a cantora.

Alguns anos mais novo, Marcelo Perdido, de 27, acabou de lançar o primeiro disco com a sua banda Hidrocor. Juntos, eles escolheram De Onde Vem a Calma. “Foi uma banda que cresci ouvindo, acompanhando o crescimento musical deles”, diz. A razão da adoração da banda está aí, implícita. De alguma forma delicada, o quarteto canta o que pensam e sentem gerações que vão dos 15 aos 40 anos. “Quis participar por razões pessoais”, completa Perdido. As barbas se foram, mas a aura se mantém imaculada.

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