Gruff Rhys, um adorável amalucado

Estadão

08 de março de 2012 | 17h00

Pedro Antunes

A normalidade nunca fez parte da vida do galês Gruff Rhys. A começar pelo seu primeiro nome, apelido para Gruffydd, que, se falado em voz alta, soa como um latido bravo. A esquisitice vai além. Ao longo dos anos, ele adquiriu a estranha mania de colecionar embalagens de xampu surrupiadas dos hotéis pelos quais se hospeda durante suas turnês.

Voz da cultuada banda de rock alternativo Super Furry Animals e multi-instrumentista, ele ainda mantém uma prolífera carreira solo que envolve parceria com o Gorillaz, projeto mezzo eletrônico mezzo hip hop de Damon Albarn, e com James Murphy, da extinta banda de rock eletrônico LCD Soundsystem, além de outras colaborações com gente como Mogwai, Danger Mouse e Manic Street Preachers.

Gruff adquiriu um status de vanguardista do pop. Culpa de suas invencionices, letras que bebem direto da fonte do psicodelismo dos anos 60 e aptidão para criar melodias pop, fáceis de assoviar.

Muito por isso – essa falta de medo de mergulhar no desconhecido musical –, a mais nova empreitada de Gruff o trouxe para o Brasil. Em três apresentações, o músico passará por São Paulo (hoje e amanhã) e Curitiba (sexta). Em São Paulo, ele toca no Studio SP, sendo o primeiro show a integrar o projeto Tête-à-Tête, parte das comemorações da agência cultural Inker, e será ao lado de John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu, com participação da sua mulher Fernanda Takai, vocalista da banda mineira.

Após voar do País de Gales até o Brasil e passar o som na casa de shows do Baixo Augusta, Gruff já apresentava sinais de cansaço ao ser entrevistado pelo JT. “Mas não se preocupe, vamos conversar”, disse ele. O músico conta que conheceu o Pato Fu há 12 anos, em Londres. “Achei que eles tinham um som interessante. Somos da mesma geração. É um elogio eles quererem tocar comigo.”

A apresentação de hoje será dividida: primeiro a parte de Gruff, depois a parte de Ulhoa e Takai e, no fim, a interação entre eles. Amanhã, sozinho, o galês vai se debruçar mais sobre seu repertório solo. São três discos, sendo o último lançado em fevereiro de 2011.

Batizado de Hotel Shampoo, o álbum é a empreitada mais pop de Gruff. Bem-arranjado, seja com o uso do teremim (um dos primeiros instrumentos completamente eletrônicos) ou de violinos, o trabalho é uma viagem ao interior amalucado do músico. “É um hotel onde só uma pessoa se hospeda. No caso, eu”, devaneia. “É como um disco de alguém que estava entrando na crise da meia-idade, repensando as coisas da vida. Só que eu não estava em crise (risos)”, completa ele, aos 40 anos.

Perguntado se projeta um novo disco do Super Furry Animals – o último foi Dark Days/Light Years, 2009 –, ele diz que ainda é cedo. “Bebemos muito quando estamos juntos. E hoje somos pais de família, precisamos nos cuidar.” Psicodelia, agora, só na música.

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