Um homem contra o tempo

Estadão

12 de novembro de 2010 | 18h10

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Difícil resistir a Ayrton Senna na tela do cinema. Não quer dizer que o documentário Senna, do inglês Asif Kapadia, seja primoroso ou revele algo que você já não soubesse sobre o piloto brasileiro. Mas nem é preciso ser fã de Fórmula 1 para que as imagens, até as inéditas, evoquem outras imagens e sensações na memória (basta ser brasileiro, nascido antes de 1994). E para que elas conduzam você a uma viagem por sua história pessoal e pela história do Brasil.

Várias gravações do país na época são mostradas pelo diretor, acompanhadas de uma voz em off que fala sobre a dificuldade por que passávamos. Gera certo desconforto – e estranhamento – ver a menina que fala de Senna, sorrindo para a câmera: “É a única coisa que o Brasil tem de bom, né?”. O filme gasta tempo demais no conflito mocinho-bandido entre o piloto e Alain Prost. (Com o brilho indiscutível do primeiro, fica fácil ter raiva dos franceses.)

Mas mesmo que já se saiba o desfecho da história, ao ver as cenas ampliadas e granuladas, em uma sala escura com tela tão diferente da TV de casa, algo se confunde nas expectativas. E, por pouco, cria-se margem para fantasiar que o fim daquela curva de Imola vai ser diferente.

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