Sofrer com elegância

Estadão

08 de março de 2010 | 18h48

Agora que os jurados do Oscar já anunciaram suas escolhas, é hora de você dizer se concorda ou não com os votos. Muitos dos filmes que concorreram ao prêmio estão em cartaz – e certamente valem o ingresso, mesmo que não tenham ficado com a estatueta. Para ajudá-lo a decidir o que ver primeiro, o Cinema vai (re)publicar o que os críticos do Guia do Estadão já disseram sobre os filmes.

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Direito de Amar | A Single Man, EUA, 2009

Acerto: Colin Firth foi indicado ao Oscar de ator pelo papel.
Equívoco: o nome original, A Single Man, nada tem a ver com o título em português

George, o professor que protagoniza Direito de Amar, não consegue aceitar que o homem com quem viveu por 16 anos morreu em um acidente de carro. Você, por outro lado, pode ter dificuldade de aceitar que isso seja um motivo para que ele queira se matar, considerando o que vemos do seu suposto último dia de vida.

A favor da decisão de George, há a impressão de que ele e o amante tinham uma relação agradável e o fato de que não lhe restam muitos amigos em Los Angeles – onde mora desde deixar Londres. Há ainda o argumento de que George vive em 1962 e não está ‘autorizado’ a expressar o seu luto. Por outro lado, assistir ao filme é um pouco como ver um homem sofrer por 99 minutos em um comercial da Mercedes-Benz.

Diretor estreante, o estilista Tom Ford adaptou o livro de Christopher Isherwood como quem faz um editorial de moda. Nada no filme (da torradeira de George aos dois rapazes que tentam se aproximar dele em uma mesma tarde) é menos do que deslumbrante. E sua única amiga é vivida por Julianne Moore. Nem um ator talentoso como Colin Firth poderia nos convencer de que ele tem, de fato, motivos para sofrer. (Rafael Barion)