Sem luz, sem câmera, mas com ação

Estadão

21 de abril de 2010 | 14h13

Cinema é uma arte cara. Se Eu Fosse Você 2 e 2 Filhos de Francisco, as maiores bilheterias do cinema nacional, custaram R$ 6 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente. E repare que os filmes brasileiros gastam apenas uma fração do valor de produções hollywoodianas – Avatar despendeu US$ 237 milhões. Agora imagine fazer um filme com três notinhas de R$ 100. Tem gente que consegue. E é para mostrar o resultado de ideias assim que surgiu o festival Cinema de Bordas, que começa sua segunda edição hoje e vai até domingo (25) no Itaú Cultural.

bordas

O projeto é dos professores Bernadette Lyra e Gelson Santana, da Escola de Comunicação e Artes, da USP. O casal, junto com um grupo de professores cinéfilos, costumava garimpar pérolas cinematográficas Brasil afora em eventos esporádicos. “Muitas vezes o diretor do filme não sabe nem ler”, conta Bernadette. “A vontade de fazer filme é tão grande que eles fazem mesmo, na garra. Improvisam.”

São produções completamente amadoras e com os devidos ajustes. “Às vezes, a mocinha é a filha do diretor e o mocinho é o próprio diretor”, conta. Os gêneros são bem variados: às vezes mesclam velho oeste e kung fu com comédia romântica e pronto. “Vão juntando sem o menor constrangimento. É um barato”, diz. Não é difícil ver uma ou outra cena de algum filme famoso também entrar no meio. “Mas aí não é um imitação. É uma recriação.”

Apesar de tanta mistureba, há os gêneros mais visados: terror (com muito xarope de groselha para fazer de sangue), humor escrachado e até pornô. A estética trash é caprichada. No final, quem faz esse tipo de trabalho quer mesmo é se divertir. Bernadette arremata com uma frase de um conhecido: “O cinema brasileiro tem salvação. E eu vou provar isso com meus filmes bagaceira”, ri.

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