Respostas da natureza

Estadão

07 de janeiro de 2011 | 18h15

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A casa onde a personagem de Charlotte Gainsbourg mora, no filme A Árvore, foi construída ao lado de uma imensa e linda figueira, majestosa em relação à paisagem australiana do longa. Só que a árvore tem raízes grandes demais – o suficiente para representar, mais uma vez, as forças da natureza que ameaçam a personagem vivida pela atriz.

Quem assistiu às agruras de Charlotte na floresta de Anticristo (2009), de Lars von Trier, pode ficar aflito ao pensar em vê-la sofrer daquela forma outra vez. Mas a diretora francesa Julie Bertuccelli (de Desde que Otar Partiu) é mais piedosa do que o cineasta dinamarquês. Tem um olhar terno sobre Dawn, a protagonista, que não está ‘possuída’, apenas em luto. Estática diante da perda do marido e do dever de criar, sozinha, os quatro filhos. A pequena Simone (Morgana Davies) se apega à árvore por crer que nela repousa o espírito do pai – e esta relação acentuará o impasse da trama.

Baseada no livro Our Father Who Art in the Tree, da australiana Judy Pascoe, a narrativa tem clima de fábula. Uma história que não é brilhante, mas muito intimista, na qual a natureza representa ao mesmo tempo fúria e acalanto.

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