O sentido da insistência

Estadão

10 de março de 2010 | 15h00

(Este é o sexto post da série de resenhas publicadas no Guia do Estadão sobre filmes que concorreram ao Oscar e estão em cartaz)

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Um Homem Sério | A Serious Man, EUA, 2009

Indicações | Melhor Filme; Melhor Roteiro Original, para Joel e Ethan Coen

Larry Gopnik (Michael Stulhbarg) é um típico judeu americano de classe média. Leva, portanto, uma vida difícil. Ele vive nos 60, o que piora um pouco as coisas. Mas o pior é ser protagonista de Um Homem Sério, dos irmãos Joel e Ethan Cohen (de Onde os Fracos Não Têm Vez), conhecidos por seu humor mórbido. Gopnik que o diga. O irmão vive às suas custas, a mulher decide deixá-lo, o filho vem causando problemas na escola, a filha junta dinheiro (roubado) para fazer uma plástica e ele ainda corre o risco de ser demitido.

O protagonista parece viver em uma passagem bíblica, daquelas em que um sujeito é submetido a uma série de provações para afirmar sua fé. Aflito, Gopnik procura significado para suas desventuras na religião. Os três rabinos que consulta se contradizem, mesmo sem respostas. Mas proporcionam, ao espectador, perguntas interessantes. Tente apenas não se desgastar tanto com o martírio do protagonista. Ele sofre sem saber o que Deus espera dele. E é provável que você também não entenda o que os diretores esperam de você. (Leandro Quintanilha)