O mistério da distribuição – Parte VI: a crise dos DVDs

Estadão

02 de março de 2010 | 17h15

BrancaNeve_400

(Clique aqui para conferir os posts anteriores desta série, que explica em detalhes o processo de distribuição dos filmes no Brasil.)

Filme é como gente, bicho ou planta: ele também tem um ciclo de vida. Nasce nos cinemas; cresce e vai para a locadora; amadurece e chega aos canais por assinatura; e depois morre na TV aberta. Tudo isso costuma levar cerca de dois anos.

A mais rentável dessas fases é a ‘adolescência’. O mercado de home video, que abrange a venda e locação de DVDs e BluRay, pode representar até 50% da arrecadação de um título, segundo um relatório da Marché du Film – World Film Market Trends.  

Mas esta galinha dos ovos de ouro em sendo depenada pela pirataria. Nos EUA, a arrecadação com a venda de DVDs caiu de US$ 24 bilhões em 2006, para US$ 22 bilhões em 2008. Embora ainda não seja forte o suficiente, o BluRay tem tentado compensar esses números. O setor de home video diminuiu em 9% nos últimos quatro anos. Mas teria diminuído 11% se não fosse esse novo formato mais sofisticado de reprodução doméstica.

No Brasil, outro problema é o acesso da classe C (agora com renda maior) à TV por assinatura. Comprar um pacote de canais de longas-metragens pode sair mais barato do que ir algumas vezes ao cinema – que chega a custar até R$ 50 para um casal. É caro? Há controvérsias. “Um parâmetro de comparação de preços que sempre funcionou foi a entrada no estádio de futebol. Para assistir a um jogo na arquibancada, a pessoa pode desembolsar até R$ 40. O máximo que ela vai pagar por uma sala 3D de última geração é R$ 25”, comenta Paulo Sérgio, cineasta e diretor do portal Filme B.

Mas comparar cinema e futebol, em pleno ano de Copa, pode não ser uma boa estratégia. (Renata Reps e Marcel Nadale)

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