O mistério da distribuição – Parte III: quem sai no lucro

Estadão

27 Fevereiro 2010 | 11h00

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(Este é o terceiro post da reportagem sobre como funciona o sistema de distribuição de filmes no Brasil. Confira o primeiro e o segundo).

Basta entrar na fila de alguma bilheteria para ouvir reclamações de que o preço do ingresso é muito alto. Mas você sabe para onde vai o suado dinheiro do seu salário?

O produtor tem interesse que seu longa-metragem seja distribuído pela empresa que oferecer maior prestígio.  Mas a má notícia é que ele fica com a menor parte dos rendimentos. O exibidor fica com 45% a 50% da renda de bilheteria, salvo impostos. “Mas é ele também quem tem os maiores gastos com trâmites operacionais do filme, salas, equipamentos e pessoal”, afirma a coordenadora do Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual, Alessandra Meleiro. 

A melhor chance de margem de lucro fica mesmo com a distribuidora, que pode negociar para comprar os filmes ao menor preço possível e, no fim do processo, recebe de 20% a 25% da arrecadação da bilheteria. Cabe ao exibidor pagar pelas cópias em película do filme, que chegam a custar até US$ 1500. Seu principal gasto é a realização das cópias em película dos filmes que chegam a custar até US$ 1500 cada. Há também investimento na publicidade e na organização de exibições para a impressa, pré-estreias, photocalls, etc.

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E quanto ao período que o filme permanece em cartaz? Cada distribuidora negocia com o exibidor da forma que mais lhe convém. Para títulos importantes, como Homem de Ferro 2 (no alto) ou Robin Hood (acima), geralmente são definidos lançamentos nacionais, que atingem 90% dos cinema do país – algo em torno de 750. Às vezes, o contrato estabelece um período mínimo para que o longa fique em exibição. A maioria, no entanto, segue a regra de que ele precisa alcançar uma renda média durante a semana para continuar no circuito. Se, durante o fim de semana, a película faz 60% dessa média, a resposta é positiva. A decisão de tirar ou não o filme da grade acontece nas segundas ou terças-feiras, para dar tempo de escolher seu ‘substituto’ na sexta seguinte.

Há, porém, exceções à regra. No post de segunda-feira (1/3), conheça o bizarro caso do filme que está há dois anos em cartaz em São Paulo. (Renata Reps)