Muito tempo para pouca produção – Parte #2

Estadão

17 de março de 2010 | 11h31

rolo de filme
O cinema é uma arte enrolada?

O processo de produção de um filme é muito demorado. Da procura do argumento ideal (que dará origem ao roteiro futuro) até a fase de pós-produção, existem muitas etapas a serem cumpridas. A principal diferença entre o pontapé inicial do trâmite no Brasil e nos Estados Unidos é que, por lá, na maior parte dos casos, são as produtoras que procuram um diretor interessado em assumir o projeto. Isso leva tempo, é claro. Mas, por aqui, a pior burocracia está na fase de arrecadar recursos para tocar a ideia que está na cabeça do diretor. Apoio e patrocínio de empresas públicas e privadas são a nossa principal fonte de dinheiro.

No entanto, em um mundo ideal onde a grana não seja um empecilho, um diretor deveria ser capaz de finalizar um filme em um período que varia entre dois e três anos. Para a fase inicial de elaboração de um roteiro adequado, leva-se em média um ano. Mas o cineasta Heitor Dhalia (À Deriva, 2009, e O Cheiro do Ralo, 2006) explica que o cinema é uma arte lenta, que precisa de uma conjunção de muitos fatores dando certo ao mesmo tempo para funcionar – e que, consequentemente, torna-se um verdadeiro milagre lançar filmes muito próximos um do outro, como faz Martin Scorsese, por exemplo (Ilha do Medo, em cartaz, Os Infiltrados, 2006, O Aviador, 2004, Gangues de Nova York, 2002, só para citar os principais últimos).

“Tudo que o diretor quer é filmar, mas os projetos têm dinâmicas próprias e não dependem só de sua vontade, muito pelo contrário. Elaborar um roteiro, captar imagens, fazer as fimagens, enfim, tudo demora muito”, afirma Dhalia. E conclui com uma frase que o amigo, ator e produtor Selton Mello costuma dizer o tempo todo: “O processo é lento, o barato é louco e o bagulho é sério.” Coisa de cineasta, mesmo.

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