Kung fu kid

Estadão

27 de agosto de 2010 | 20h50

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Karate Kid, remake da aventura juvenil que enviou hordas aos tatames nos anos 80, é um caso raro de nepotismo do bem. O filme foi bolado pelos atores (e produtores) Will Smith e Jada Pinkett-Smith como veículo para o filho do casal, Jaden Smith (que já trabalhara com o pai em À Procura da Felicidade, de 2006). Nada desse constrangimento, porém, está na tela.

Como Dre Parker, um garoto de 11 anos que se muda com a mãe (Taraji P. Henson) para a China e encontra no kung fu (sim, kung fu, não caratê) a chave para se adequar à nova sociedade onde vive, Jaden demonstra o mesmo carisma e timing cômico do pai – e a mesma consciência corporal para cenas de ação. É cedo para julgar sua carreira, mas, pelo menos até agora, dá para dizer que, filho de peixe, dragãozinho é.

A mudança na arte marcial não é a única alteração significativa no roteiro em relação ao original. Pouco é preservado além do rival valentão (que ganha ares ainda mais sádicos por ser interpretado por outra criança na faixa etária de Jaden, o chinês Zhenwei Wang) e do torneio final que promete a resolução entre os dois. A mudança do cenário para a China, claro, tem interesses mercadológicos, Mas, mais uma vez, não pesa no roteiro. O idioma estranho colabora no isolamento de Dre – e os pontos turísticos servem como um belo pano de fundo para as sessões de treino do garoto.

Sobretudo, o flerte com o público chinês dá margem para que Jackie Chan seja redescoberto. No papel do Sr. Han, zelador do prédio de Dre e seu instrutor no kung fu, ele enfim se despe da fantasia de palhaço que vestiu para conquistar o mercado americano e mostra por que sempre foi considerado um astro (e um ator legítimo) no Oriente. A relação entre Dre e seu mestre é sincera o suficiente para ninguém mais perguntar por onde anda o Sr. Myiagi.

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