Grito contido

Estadão

19 de novembro de 2010 | 17h54

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Tudo é ao mesmo tempo sutil e grave em Um Homem que Grita, belíssimo filme feito na República do Chade. Mahamat-Saleh Haroun, o diretor, encontrou um ritmo raro para contar o drama de Adam (Youssouf Djaoro), um homem que cuida da piscina de um hotel de luxo junto com o filho. O país vive uma guerra civil e ele, um ex-campeão de natação, se vê obrigado a decidir se vai mandar dinheiro ou o rapaz para o ‘esforço de guerra’. Dinheiro, ele não tem. E, se ficar, o filho pode tomar o seu emprego, já que o hotel está cortando gastos.

Aos poucos, vai se traçando um retrato não-ruidoso do conflito deste homem, perdido em seu país. O filme (vencedor do Prêmio do Juri em Cannes) dá tempo e silêncio suficientes para que você o acompanhe. E para que, conhecendo os olhos e a índole de Adam, se surpreenda com um roteiro que mais sugere do que aponta caminhos – e é tão encantador quanto a fotografia. Cenas amorosas e lentas se alternam ao caos do mundo. E, mais para o fim, a garota Djénéba Koné canta na língua africana (e não no francês do Chade) uma música que compôs. Siga a história até a última imagem: depois dela, um poema de Aimé Césaire esclarece o percurso recém-atravessado.

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