Fuga para a Argentina

Estadão

10 de dezembro de 2010 | 14h08

tetro_500.jpg

Tetro, de Francis Ford Coppola, é carregado de sustos e segredos. No começo, um garoto chega a Buenos Aires à noite, vestindo uniforme branco. Mas ele não é um marinheiro: Benjamin (Alden Ehrenreich) trabalha em um cruzeiro. E aproveitou a quebra do navio para ir à casa do irmão Angie – um escritor que partiu dos Estados Unidos prometendo buscá-lo. Quem o recebe amorosamente é Miranda (Maribel Verdú). Já o marido – uma figura ao mesmo tempo encantadora e assustadora vivida por Vincent Gallo (Brown Bunny) -, lhe diz: “Angie está morto. Meu nome é Tetro”. E não quer papo sobre o passado.

Mas as histórias dessa família de origem italiana vêm à tona – de forma atormentada (para os personagens e para os espectadores). É uma experiência de cinema forte, provocante, intensificada pela música do argentino Osvaldo Golijov. Por exemplo: quando se pensa estar assistindo a um filme em preto e branco (lindo), aparecem cenas em cores fantasiosas. E, quando se ri das situações burlescas protagonizadas pela crítica literária Alone (Carmen Maura), podem surgir revelações vitais à trama. Um raro e bem-vindo cruzamento de emoções.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: