Frisson azul

Estadão

14 de março de 2010 | 07h00

Este post faz parte da série de resenhas publicadas no Guia do Estadão sobre filmes que concorreram ao Oscar e estão em cartaz.

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Avatar | Avatar, EUA, 2009

Indicações | Melhor Filme; Melhor Diretor, para James Cameron; Melhor Montagem; Melhores Efeitos Visuais; Melhor Trilha Sonora; Melhor Fotografia; Melhor Mixagem de Som; Melhor Edição de Som; Melhor Direção de Arte; A grande aposta para o Oscar levou apenas três estatuetas: Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte

Você corre o risco de se apaixonar por androides em Avatar. Culpa de James Cameron, o diretor do romântico Titanic, ou de uma ilusão provocada por três dimensões? O orçamento estimado de 500 milhões de dólares – o maior da história – colabora para criar a fantasia, é claro. Com isso em mente (ou com a mente vazia), vá ao cinema iludir-se – de preferência em alguma sala que exiba o filme em 3D.

No mundo humano, Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-fuzileiro naval preso a uma cadeira de rodas. Enviado à base terrestre de Pandora, uma lua de montanhas flutuantes e seres chamados na’vis, ele não sabe muito bem o que se passa por ali: por ter o mesmo código genético, substitui seu irmão gêmeo, um cientista morto. Como no solo do lugar há um mineral valiosíssimo para a Terra, que está devastada, a base cria ‘avatares’ – seres que combinam DNA terráqueo e nativo – para explorar o planeta. Na pele do seu ‘avatar’, Jake delira desde as primeiras incursões: ali, tem um corpo forte, ágil (e azul) de 3,5m – igual ao dos outros habitantes. Entre eles, há,é claro, uma na’vi sábia e bonitona.

Espécie de Pocahontas contemporânea, Neytiri (Zoë Saldana) ensina ao herói que a natureza é sagrada e que tudo está conectado. Não se assuste Se o olhar doce e amarelo da ‘moça’ lhe encantar. Os movimentos dos olhos e as expressões faciais foram captadas por câmeras instaladas na cabeça da atriz e serviram de base para a animação. Talvez você não se surpreenda com o que os humanos desse futuro próximo são capazes de fazer com Pandora – em um momento, o capitão mau diz que é preciso “combater o terror com terror”. Mas certamente se espantará com o que os técnicos do universo do entretenimento são capazes de fazer hoje. Bem vindo aos anos 2010. (Ilana Lichtenstein)