Filme de palco

Estadão

11 de março de 2010 | 18h00

(Este é o décimo post da série de resenhas publicadas no Guia do Estadão sobre filmes que concorreram ao Oscar e estão em cartaz)

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Nine | Nine, EUA, 2009

Indicações | Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte, Melhor Atriz Coadjuvante, para Penélope Cruz; Melhor Canção, com Take it All

 

Em 1963, Federico Fellini batizou de 8 1/2 seu filme autobiográfico – e metalinguístico – sobre um diretor que, como ele, não conseguia ter ideias para o seu novo trabalho. (Contando curtas e longas, ele seria o ‘oitavo filme e meio’ do italiano.)

Dezenove anos depois, a história virou um musical da Broadway, rebatizada de Nine – porque, segundo o compositor Maury Yeston, adicionar música ao longa valia por “meio número a mais”. Nine, o filme, é a versão para o cinema deste musical. Ou uma versão da obra de Fellini sem nada do que fazia dela um filme interessante.

A história continua a falar de um diretor em crise criativa (Daniel Day-Lewis) que tem de lidar com a presença (ou os fantasmas) das mulheres de sua vida – entre elas, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Marion Cotillard e Sophia Loren. O diretor Rob Marshall (de Chicago) preferiu, porém, ignorar os jogos metalinguísticos do original e – pior – manter os números musicais em um palco, como se fosse no teatro.

Podia funcionar na Broadway, mas perde o sentido em um filme sobre o universo de um diretor de cinema. O resultado é constrangedor para quem viu o original – ou banal (e um desperdício de bons atores), se você preferir fingir que 8 1/2 não existiu. (Rafael Barion)