Efeitos do tempo

Estadão

17 de dezembro de 2010 | 08h00

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No filme original, personagens vestindo capacetes se digladiavam em cenários virtuais coloridos. O gaiato programador virtual/hacker Kevin Flynn (Jeff Bridges) adentrara nesse mundo para recuperar sua autoria de sistemas da empresa Encom. Tron – Uma Odisseia Eletrônica se tornou cult, porque suscitava questões originais sobre o tema. Não resta muito desse clima de descoberta em Tron – O Legado, continuação que estreia hoje, quase três décadas depois.

Flynn – vivido de novo por Jeff Bridges – conta ao filho pequeno sobre ‘A Grade’, um extraordinário mundo virtual. Mas logo desaparece. Adivinhe onde ele foi parar.

Aos 27 anos, Sam Flynn (Garrett Hedlund), o maior acionista da Encom, é estimulado a ir em busca do pai. Com ele, o espectador vai conhecer um mundo virtual em 3D, com cenários frios, pretos e elegantes, distantes da estética charmosamente tosca dos anos 80. Pelo menos, por ali, reina a trilha sonora do Daft Punk. E ainda há corridas de motocicletas e batalhas de discos em um estádio lotado, com um público (também virtual) que vai ao delírio.

Mas, nesta sequência, o foco mudou. No primeiro filme, a realidade virtual era uma novidade capaz de provocar discussões (nerds) profundas. Agora, a prioridade é uma relação sentimental entre pai e filho. Bridges continua ali e o colega Alan (Bruce Boxleitner, que vive Tron), também. Mas o roteirista e diretor do original, Steven Lisberger, assina só a produção do filme de Joseph Kosinski – e, claro, uma consultoria. Falta criatividade à sequência. Às vezes, parece só um videogame moderno. Que você nem está jogando.

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