E Uli Burtin votou no…

Estadão

02 de março de 2010 | 09h00

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Os cineastas Laís Bodanzky e Carlos Reichenbach já contaram ao Cinema quais salas de São Paulo consideram as melhores. Para avaliar a qualidade técnica das projeções, chamamos outro especialista, com o olhar bem apurado: o diretor de fotografia alemão Uli Burtin, de 69 anos. Estudioso do assunto desde os 16, ele aplicou seu conhecimento nos premiados Lisbela e o Prisioneiro (2003), Meu Nome Não É Johnny (2008) e Salve Geral (2009). 

Qual cinema paulistano realizou a melhor projeção de um filme seu?
Me parece razoável que as melhores projeções estão em salas mais modernas, como Frei Caneca, Bourbon e Kinoplex Itaim. Mas isso, na minha opinião, é o último critério na hora de escolher uma sala para assistir a um filme. O que perturba mesmo é quando o projecionista trabalha mal, faz foco durante a projeção, erra a janela ou não regula o som.

Alguma sala já cometeu esse tipo de deslize com um trabalho seu?
No caso de Salve Geral, uma vez troquei de sala durante a exibição no Cinemark Eldorado e vi o filme em duas claridades diferentes, o que é muito frustrante quando você trabalha semanas para marcar as cores do filme. Eu constatei que não existe medição ou controle das normas de luz nem mesmo dentro de um mesmo complexo de cinemas. Daí fica difícil comparar.  

Quais salas da cidade você  costuma frequentar?
Eu me importo bastante com a proximidade do cinema, por isso vou ao Unibanco da Augusta, Frei Caneca, CineSesc e Reserva Cultural. É onde encontro, perto de mim, os filmes que quero ver. Só para ver Imax me desloco até o Bourbon.  

Que dicas você  daria para o público avaliar a qualidade de projeção de um filme?
Como disse, existem coisas mais importantes do que a qualidade de projeção. Um exemplo é o ambiente fora da sala. Eu acho ótimo ir a um lugar onde possa tomar um café antes do filme ou comer um bom salgadinho. A qualidade e a posição das poltronas em relação à tela também são essenciais. Mas é complicado porque vários dos cinemas que passam filmes que estão fora do circuito comercial não têm toda essa qualidade. (Renata Reps)