Dono da história

Estadão

23 de julho de 2010 | 10h20

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Como bons estrategistas, Hitler e Mussolini sabiam o quanto o revisionismo histórico era essencial na propaganda totalitarista. Negar (ou reescrever) o passado da nação foi um de seus mais hediondos crimes intelectuais. Ao resgatar a história secreta da primeira mulher de Mussolini, extraída à força dos registros oficiais, Vincere é um duplo assombro: por revelar uma rara aplicação particular dessa técnica e por provar que, nessa esfera privada, a carga de crueldade pode ser ainda maior.

Giovanna Mezzogiorno é puro brio como Ida Dalser, uma cabeleireira que vende o próprio salão para apoiar financeiramente o então agitador político Mussolini (Filippo Timi, igualmente carismático). Os dois se casam e têm um filho. Mas, durante a 1ª Guerra Mundial, o futuro ditador se envolve com outra, volta consagrado do conflito, ascende ao poder e começa a ‘apagar’ a existência de Ida – que chega a ser isolada em um hospício, longe do filho.

Felizmente, o veterano diretor Marco Bellocchio sabe que não apenas o horror fica gravado na memória, mas também o belo. ‘Vencer’ tem uma das mais incríveis fotografias do ano, emoldurada pela dramática trilha composta por Carlo Crivelli.