Decair com dignidade

Estadão

09 de março de 2010 | 15h00

(Este é o terceiro post da série de resenhas publicadas no Guia do Estadão sobre filmes que concorreram ao Oscar e estão em cartaz)

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Coração Louco | Crazy Heart, EUA, 2009

Afiado: Jeff Bridges venceu o Oscar de melhor ator.
Afinada: ‘The Weary Kind’, ganhou o prêmio de melhor canção

Um grande coração embebido em uísque move – e retém – o protagonista de Coração Louco. Bad Blake é um cantor country lendário e decadente, que Jeff Bridges incorpora com perfeição. Fiel ao seu carro velho, à sua rabugice e às suas canções, ele segue executando sempre as mesmas melodias, em uma turnê que acontece em locais tão relevantes quanto um boliche de quinta categoria.

Mas a vida dá voltas. Em várias cidades, a banda que o acompanha é limitada e o público, desinteressado. Em Santa Fé, porém, o pianista é bom e tem uma sobrinha. Quando Jean (Maggie Gyllenhaal), que é jornalista, o entrevista, ela não tem ideia do quanto “faz a sala parecer feia” aos olhos de Bad. As bochechas da garota coram, mas só porque seus vasos capilares “ficam muito perto da pele”, diz ela – que tem um filho de bochechas mais cativantes ainda.

Dali adiante, a história tem amor, álcool, revoluções pessoais e muitas canções (produzidas por T-Bone Burnett) para dar conta de tanto sentimento. E elas são lindas – como a cantada por Robert Duvall em um lago. E de novo, na sala escura, após os créditos, se você esperar para ouvir. (Ilana Lichtenstein)