De detetive a herói

Estadão

17 de maio de 2010 | 17h52

Sherlock Holmes, famoso personagem do escritor Arthur Conan Doyle, marcou presença no cinema diversas vezes (o ator Basil Rathbone já interpretou o detetive em catorze filmes). Hercule Poirot e Miss Marple, ambos criados por Agatha Christie, também apareceram na telona. E, mais recentemente, os romances policiais O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, de Dan Brown, ganharam versões cinematográficas. Agora é a vez do escritor sueco Stieg Larsson: na última sexta-feira (14) estreou nos cinemas Os Homens que Não Amavam as Mulheres ­- a obra original é o primeiro livro da trilogia Millenium, que já vendeu 28 milhões de cópias pelo mundo. O filme fala do jornalista Mikael Blomkvist e da investigadora particular Lisbeth Salander, unidos por um crime cometido há quase 40 anos e nunca solucionado: o desaparecimento de Harriet Vanger, a sobrinha de um rico empresário.

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O longa-metragem produzido na Suécia, sob a direção de Niels Arden Oplev, é muito fiel ao livro. É claro que o roteiro de cinema teve que ser mais sucinto (e, mesmo assim, o filme tem duas horas e meia de duração), mas as cenas e os diálogos essenciais estão todos ali. Assim como os personagens, que carregam as mesmas características que Larsson lhes designou no livro. O protagonista Mikael Blomkvist continua sendo um jornalista investigativo que foi contratado para solucionar um crime. E, assim como na obra literária, nos transmite a ideia de que acabou envolvido no desparecimento de Harriet quase por acaso: ele simplesmente não tem as habilidades necessárias para lutar contra um vilão e nem mesmo para dirigir um carro.

A fidelidade aos personagens que vemos em O Homem que Não Amavam as Mulheres não se repete na maioria das adaptações de romances policiais.

Robert Downey Jr. interpretou recentemente um Sherlock Holmes muito peculiar, no filme dirigido por Guy Richie. Os fãs de Conan Doyle repararam que algumas características de Holmes foram conservadas: o seu faro infalível por pistas e seu raciocínio rápido. Mas o detetive aprendeu a lutar durante o processo de adaptação do roteiro. Disse adeus ao chapéu e ao sobretudo e ficou mais desleixado e engraçado.

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O protagonista de O Código Da Vinci, Robert Langdon, também ganhou algumas características heroicas. Interpretado por Tom Hanks no cinema, o personagem deixou de ser um professor de Harvard para ser “um professor de Harvard que sabe usar um revólver”. E não foi só o protagonista que virou herói – em Anjos e Demônios, o personagem de Ewan McGregor é galã e até seu nome foi modificado: os fãs do livro o conheciam por Carmelengo Carlo Ventresca. Devem ter estranhado ao ver um certo Carmelengo Patrick McKenna assumir o personagem.

Mikael Blomkvist permanece fiel ao seu livro de origem. Pelo menos por enquanto. É que a Sony Pictures já comprou os direitos autorais de Os Homens que Não Amavam as Mulheres e lançará a versão americana do filme. A estreia é prevista para 2012. Precisamos, portanto, esperar dois ou três anos para saber se Mikael Blomkvist ainda será Mikael Bomkvist (ou, até mesmo, se ainda terá este nome). (Luiza Pereira)

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