Daqui não saio

Rafael Barion

05 de novembro de 2010 | 19h27

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Sejam filmes de terror existencialistas (Trouble Every Day), narrativas intimistas (35 Doses de Rum) ou experimentações ambiciosas (O Intruso), os trabalhos da francesa Claire Denis sempre promovem ao espectador experiências sensoriais cheias de mistério. Minha Terra, África fala de uma fazendeira europeia que luta para manter sua plantação de café, enquanto o país africano (e fictício) onde vive vai sendo dominado por rebeldes violentos.

Maria já não tem funcionários, apoio do ex-marido – que quer vender as terras – ou proteção das autoridades do país. E corre sério risco de vida. Mas não vê sentido em deixar o lugar onde construiu a vida trabalhando. O filme toca em temas como política, violência, desigualdade social. E, ainda assim, tudo é sensual e misterioso. Tem a ver com o jeito de Claire contar a história. Sem se preocupar em ser didática, ela parece observar seus personagens com o olhar desinformado dos espectadores – o que nos obriga a ir juntado peças para entender o que se passa. Seu ponto de identificação são os sentimentos de Maria, que Isabelle Huppert vive sem maquiagem – mas também cheia de sensualidade e mistério.

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