Cinema 3D – Parte I: as mudanças saltam aos olhos

Estadão

03 de março de 2010 | 18h30

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É engraçado notar como o 3D tem sido tratado como uma revolução. De fato é. Mas ele também reitera, quase ciclicamente, outros avanços técnicos do cinema. Por exemplo: assim como tem gente classificando ‘Avatar’ mais como um ‘passeio de parque de diversões’ do que como um grande filme, na década de 30 havia cineastas que consideravam o advento da película colorida uma espécie de ‘desmoralização da arte’.

Toda grande novidade tem esse período de ajuste, essa curva de aprendizado. O setor artístico ainda pode se dar ao luxo de gastar alguns instantes questionando como (e se deve) aplicar o 3D. Mas o mercado não. Todos os dados indicam que o público aceitou de vez a nova técnica – e está ávido por mais. Em 2009, apenas 97 das 2.376 salas do Brasil tinham esse tipo de projeção. Ainda assim, elas foram responsáveis por  atrair 7,2 milhões de espectadores, ou cerca de 6,5% do público total do ano, segundo dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro.

Em 2010, os prognósticos são ainda mais favoráveis. Estamos em março e já chegamos a 101 salas 3D. Várias outras serão inauguradas neste semestre. A quantidade de filmes no formato também será maior – há pelos menos 15 títulos já agendados. Mas a tal curva de aprendizado ainda está só no começo. Como tanto longa-metragem caberá em um circuito tão pequeno? Quanto custa implementar uma sala assim? Essas e outras perguntas serão respondidas nesta série de posts.

No próximo post: o que vai acontecer com o 2D? (Renata Reps)

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