Breves notas sobre curtas – Parte 1

Estadão

02 de abril de 2010 | 08h00

Curtas-metragens costumam servir como degraus para diretores rumo aos longas. E depois, muitas vezes ficam ali, esquecidos pelo caminho, como simples exercícios de estilo e dramaturgia, coitados.
Só que a concisão pode ser o trunfo de uma história – e é um atributo muito bem-vindo em tempos de internet. Os filmes breves casam tão bem com a rede que o Cinema começa agora uma série de posts só sobre o assunto. Sim, logo logo, falaremos de alguns fenômenos que se propagam com a maior facilidade e são o sucesso em youtubes, facebooks e congêneres.
Mas, para começar a carreira curtocinematográfica de um jeito elegante – e um tantinho mais oficial -, o melhor é explorar bem o Porta Curtas. O site disponibiliza mais de 700 desses ‘filminhos’ para que você assista, além da ficha técnica de quase 6 mil deles. 
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Em 13min, a voz de Paulo José sensibiliza ao problema do lixo 
 
 
Conhece o arquipremiado Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado? Pois a narração deste documentário é feita pelo grande Paulo José, que atua, por exemplo, em Cheque-Mate  (1994). Ele, a propósito, é protagonista do segundo longa dirigido por Selton Mello, O Palhaço, ainda em fase de filmagem. Enquanto aguarda o resultado dessa parceria (os longas levam tempo…) curta o afiado Tarantino’s Mind (2006). Nele, o próprio Selton discute com Seu Jorge, numa mesa de boteco, teses mirabolantes sobre o diretor de Pulp Fiction.
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Selton Mello e Seu Jorge mergulham em chopes e Tarantino
 
 
Se gosta de julgar um filme pelo elenco, encontre uma Marieta Severo debochada que cantarola Roberto Carlos em Por Dúvida das Vias  (1988). O cortante Ney Latorraca está em A Mulher do Atirador de Facas (1988), e Cleyde Yáconis em Célia e Rosita (2000), que tem uma participação surpreendente de Dercy Gonçalves. 
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Humberto Mauro fez um belo videoclipe para esta senhora
 
Quando terminar a sua sessãozinha caseira com os 6 minutos de A Velha a Fiar , uma preciosidade divertidíssima feita pelo mestre Humberto Mauro em 1960, você não terá levado nem o tempo de uma ida ao cinema. E já terá consigo um pequeno caleidoscópio audiovisual. 

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