Beleza sórdida

Estadão

21 de janeiro de 2011 | 20h08

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Biutiful é o primeiro filme ‘solo’ do mexicano Alejandro Iñárritu após o fim da parceria com o roteirista Guillermo Arriaga, que resultou nos badalados Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. No novo trabalho, o diretor retoma o teor dramático dos filmes anteriores, mas, finalmente, abre mão da fragmentação narrativa e da pluralidade de núcleos. Centrado na figura de Uxbal (Javier Bardem, premiado em Cannes por sua atuação), o longa se passa numa Barcelona irreconhecível, de ruelas imundas e apartamentos mofados. É o universo dos imigrantes e do trabalho informal – eufemismo, neste caso, para a escravidão contemporânea.

Uxbal sobrevive como intermediador de trabalhadores chineses e senegaleses, seus patrões e a polícia corrupta. Quando se vê com câncer, tenta assegurar o futuro dos filhos, única dimensão imaculada de sua vida, e se redimir de seus crimes – dos quais, como uma espécie de herói trágico, é mais vítima. O filme concorreu ao Globo de Ouro e está entre os nove ‘pré-selecionados’ na categoria de melhor longa estrangeiro no Oscar. (Os indicados saem na 3ª.) Sua sordidez extremada, porém, pode assustar os jurados da Academia, que costumam preferir opções mais ‘digeríveis’. Carol Arantes

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