Batalha verbal dentro de casa

Rafael Barion

01 de outubro de 2010 | 12h34

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O nome do personagem principal de Eu Matei Minha Mãe é Hubert Minel, mas você só vai conseguir chamá-lo de Xavier Dolan. Escrito quando seu autor, diretor e protagonista tinha 16 anos (e lançado quando ele tinha 19), o longa transformou Dolan em uma espécie de potencial Woody Allen – um autor de filmes pessoais, cuja persona se confunde com seus personagens. Seu trabalho de estreia fala de um jovem gay que tem um relacionamento difícil com a mãe.

É uma sucessão de brigas e tentativas de reaproximação, marcada por diálogos ditos a mil por hora (e com extrema naturalidade) por Dolan e a atriz Anne Dorval. Depois de deixar o Festival de Cannes de 2009 com o prêmio máximo da Quinzena dos Realizadores, o longa fez carreira pelo mundo.

Dolan exercita o estilo livre e cheio de verdade de autores como François Truffaut e John Cassavetes. Ainda não tem a maturidade necessária para fazer filmes tão geniais como eles, é verdade. Mas tem magnetismo suficiente para prender sua atenção por 96 minutos. E seguir filmando: seu novo longa, Les Amours Imaginaires, estreou este ano em Cannes e o próximo, Laurence Anyways, será estrelado pelo francês Louis Garrel.

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