A charada de Jolie

Estadão

30 de julho de 2010 | 18h08

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O espião Jason Bourne acaba de ganhar sua contraparte de saias. As cenas de ação de Salt têm a mesma aura cerebral, rústica e urgente que impregnava a trilogia estrelada por Matt Damon. Mas o novo filme de Angelina Jolie extrai mais tensão dos meandros da identidade de sua protagonista do que Bourne jamais conseguiu.

Evelyn Salt é uma agente da CIA eficiente no trabalho, mas também feliz na vida pessoal. Até que é acusada de ser uma agente da antiga KGB infiltrada, prestes a assassinar o presidente russo. Salt foge – não se sabe se para provar sua inocência ou para, de fato, cumprir a missão original. Mas foge em tal velocidade e com tal perícia hipnótica que se torna irresistível torcer por seu sucesso, seja ele qual for.

Parte do mérito cabe a Phillip Noyce, que deveria dirigir mais filmes de ação (ele fez Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato nos anos 90). Mas o show é mesmo de Jolie, estrela sem igual na atualidade. Ela atua bem, mas nem precisa. Sua figura já traz uma complexidade múltipla (guerreira, maternal, masculina, feminina) a qualquer papel. E torna a charada de ‘Salt’ ainda mais sedutora.

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