Quer aprender como ganhar um Oscar? Bob McKee ensina

Estadão

13 de maio de 2010 | 11h13

Bob McKee é roteirista-guru de Hollywood. Veio anteontem a redação do Estado para uma conversa sobre Story, seu método de ensino de escrita criativa. Entre Oscars, Grammys e Pullitzers, alunos de McKee já ganharam 138 prêmios. Story soma 40 horas de aulas – o equivalente a dois semestres de curso em uma faculdade. É para roteiristas, dramaturgos, jornalistas, enfim… qualquer um que queria escrever uam estória seja para papel, palco, tevê ou web. Eu vou!

Há muitos anos Bob queria estar no Brasil por conta da enorme quantidade de pessoas que já pegaram vôos para L.A. e NY para assistir ao workshop Story. Gravamos 40 minutos de vídeo – e meu ministério da exaustão adverte: sou one-man-show: produzo, entrevisto, fotografo e edito a coluna do jornal e este blog e, como begginer em edicão, estou levando mais tempo do que imaginei para LEGENDAR a entrevista, que é um trabalhozinho feito frame by frame. Doze minutos de vídeo consomem… 5 horas de trabalho. Até o fim do dia entram os quarenta minutos de vídeo legendados. Mas o conteúdo, de qualquer forma, escrevi para vcs. Também detestaria entrar num lugar curiosa e não ler o que quero. Espero que entendam…

Bob, começa contando sobre o workshop: “São 4 dias de 10 hs, e começo introduzindo a audiência a para o conceito básico de uma história e a relação com cenário, personagem, gênero, combinação de gêneros, significado, idéia de que o escritor que expressar e provar. E o que significa para a audiência. Olhamos para a história do subjetivo, do ponto criativo, com o autor fosse o personagem.
Isso é para responder uma questão importante, e muitas vezes mal compreendida: a substância da escrita. Qual o material com que o autor improvisa, corta e formata para dar sequências à histórias. Quando me perguntam, respondo… palavras. Mas como escritor, que manipula a língua, faço um argumento substencial de que nada é mais superficial do que linguagem. E, tendo feito isso, entramos no incidente, no maior evento que tira vida do equilíbrio e leva à complicações, crise, clímax e evolução. Então olhamos a outros fatos como coincidências, exposição da história e o que a audiência precisa saber desta; quais os interesses emocionais, texto, subtexto, verdade sobre pensamentos. o que está por trás poética da história e processo criativo, para ir da inspiração ao mistério, suspense; e como segurar o interesse emocional e intelectual da história. E entramos em diferenças do que parece estar na superfície da história e por trás. Olhamos técnicas de descrição, poética e finalmente… o processo criativo. Fazemos isso não somente para roteiros, mas dramaturgos, novelistas, pessoas que fazem documentários, jornalistas. Todos os tipos de escritores. Já tive muitas pessoas em sala – de nomeados a Oscar á Pullitzer Prizes, então o título do curso é STORY

Mr McKee comenta que nada é mais superficial que a linguagem. Como assim? Claude Lévy-Strauss, filósofo do século, provou suas teorias de que por meio da linguagem entende-se
como vivem – e funcionam – tribos. Por que então esta consideração?
RM: Veja, histórias podem ser contadas sem linguagem. Podem ser dançadas, animadas, cantadas em ópera, gráficas, em HQ. De qualquer maneira que homens possam se comunicar, histórias podem contadas. E linguagem é só uma forma. Linguagem é um meio para história. Em filmes, imagem é meio. Em ópera, voz. Em balet, corpo. História é pre-linguística; é o último desenvolvimento da mente humana. Antes, claro, as histórias em contadas em imagens. Há imagens magníficas desenhadas há 4 mil anos em cavernas. Linguagem levou tempo para ser desenvolvida: é a superfície do comportamento.
Um dos grandes princípios da escrita é que nada é o que parece. A superfície da vida é o que parece: o que as pessoas dizem, fazem, o que você ouve, faz, mas não é o que é. O que seria então? reais pensamentos e sentimentos, inconscientes na grande maioria e que não necessariamente são ditos, como desejos e medos, porque há máscaras privadas. E, se mostrássemos tudo, pessoas ficariam traumatizadas. Há 50 anos, na França, como você disse, com Lévi-Strauss, Roland Bart, a linguagem era o modelo da experiência humana e achavam que se poderia entender qualquer coisa por meio de linguagem. Mas isso, me desculpe, é uma falsa ideia. Uma pessoa incapacidada… Por exemplo, alguém que teve um AVC e perdeu a capacidade de falar, pode fazer um filme maravilhoso. Porque não? porque eles pensam por meio de imagens. Os momentos mais maravilhosos do cinema não têm diálogo, são pura imagem de seres humanos agindo e reagindo. Grandes momentos não requerem screenplay, diálogo, não tem linguística e são magníficas expressões do que podem ser seres humanos. E um dos própositos das minhas aulas é ensinar não escrita, mas como contar histórias porque quero que escritores para palco, tela, pensem e sintam desejo, as forças antagonistas da vida, as lutas de cada para voltar ao equilíbrio e lutar para conseguir o querem deles, de outros, em relações de amor, família, sociedade.

E como fazer uma boa Estória, então?
RM: Estória começa quando com seres humanos com vida mais ou menos em equilíbrio… e todos temos ups & downs. Aí surge um evento, que pode ser uma coincidência, alguém que toma uma decisão, alguma situação poderosa, como sua mulher te largar, ou qualquer coisa que possa acontecer para tirar a pessoa do controle. O que qualquer a pessoa quer? isso é universal: recuperar equilíbrio da vida. Ninguém quer viver sem alguma razoável sobriedade de sua existência. E o fato de tirar o personagem do prumo, faz o personagem recuperar o desejo de voltar ao normal. Para fazer isso, concecebemos o que chamo OBJETIVO DE DESEJO: o que personagens pensam e querem conscientemente que aconteça em sua vida para ficar normal. Mas personagens complexos não somente querem desenvolver desejos conscientes, mas insconscientes e que são contraditórios. E esses personagem podem ou não conseguir, mas terão ações para recuperar o equilíbrio e irão a pontos em que a audiência não imagina. Essa é a essência de uma história. E como isso vem à superficie? varia, mas essência é universal e eterna: histórias de seres humanos querendo reestabelecer o equilíbrio na vida.

RM: Em geral, quando se escreve um romance, a coisa mais interessante para o romancista é com o conflito interior nos humanos. É como o personagem luta para conseguir paz de espírito, amor, compreensão, significado para a vida . Você pode usar diálogo e fazer personagens entrarem em conflitos pessoais; pode descrever seus conflitos. No teatro, a essência é o conflito pessoal porque usa diálogo em sua forma mais poética, e o dialogo é como humanos trabalham relações para melhor ou pior, então os dramaturgos se concentram em conflitos pessoas. Em filmes, a essência é em conflito com social e físico porque a câmara projeta humanos em seus mundos. E imagens valem mil palavras . A tevê faz tudo: tem a extensão de um romance, pode ir de horas a anos, e pode usar o diálogo brilhantemente como uma peça. Tudo é usado e você pode criar personagens complexos. Pegue Tony Soprano… nós o vimos 9 com seu psiquiatra, imigos, gângsters, mulher, namorada, sozinho na quadra de golfe. O vimos em toda maneira e acho que Tony Soprano é mais complexo do que Hamlet. Mas cada escritor tem preferência por certa mídia.

Evidente. Tivemos 9 anos para conhecer Tony Soprano e 4 horas para conhecer Hamlet. Estamos no momento da web. Se 3 minutos é considerado o tempo máximo que um internauta aguenta assistir um vídeo… como apresentar um personagem e contar uma boa história em três minutos?
RM: O começo é o Insigthing Incident. To insigth é começar. Incident significa o ato, o evento, o momento em que a vida sai do equilíbrio. Quando você tem 3 minutos, tem que imediantamente colocar a vida fora de ordem em o quê… segundos? Esse ato criativo tem que ser rápido e sem explicação. Para o publico ver e pronto. Por exemplo, em Jaws: tubarão come garotas; xerife descobre corpos no primeiro minuto. Não necessita explicação. Entendemos instantaneamente em Kramer vs Kramer que a mulher larga o marido e deixa o filho. Não precisamos explicar porque entendemos de cara o terrível impacto que disso. Por outro lado, outros acontecimentos levam tempo. Esses incidentes que requerem preparação não podem ser contados na web. Formas curtas são muito difíceis porque requerem que você coloca a vida fora de equilibrio rapidamente.

Sabe, acho que a tevê é o futuro de Hollywood…
Acredito nisso e concordo que Hollywood está lutando e o futuro da storylelling pode não ser o cinema, mas a tevê. O dinheiro vai para cinema, mas os melhores escritores estão na tevê. Minha impressão é que os melhores escritores de Hollywood estão mais em tevê do que na telona porque tudo é baseado na escrita, não na direção ou direção de arte. Temos uma grande comunidade criativa em L.A., mas fora de Hollywood não há nada para dirigir. Os melhores seriados Six feet under, Damages, Untreatment, há um melhore que o outro, e como onsequencia a tevê americana está canabalizando sets de tevê em todo mundo. Cinema está gastando milhões em 3D, criando espetáculos , mas não sei quanto tempo isso dura. Pode ser novidade para jovens, mas a medida que as pessoas crescem, querem mais serem humanos, a vida como ela é.

Postei no Facebook que Bob estaria na redação e abri para perguntas. A maioria está respondida acima nas frases de McKee.
Outra que veio repetidamente foi: O que fazer quando dá branco em frente ao computador?

A resposta do mestre: até que o que seu personagem pensa, vai fazer e como vai fazer para conseguir o que quer, você não vai conseguir palavras. Palavras estão ai para expressar o conteúdo. Palavras são a forma e o que mostram é o que os personagens estão pensando e fazendo para chegar de um ponto a outro, mas linguagenm para expressar o que? uma vez que você entende seu personagem linguagem é crítica porque ou vc se expressa bem ou mal, ou de maneira chata ou interessante. Não que não seja errado, mas primeiro o que é primordial: o conteúdo humano; depois linguagem, ou dança num balé. Esses são meios e e isso tem que ser expresso lindamente, mas é um erro pensar que meio é conteudo. O que ensimo é conteudo: como colocar personagens em ação; como criar conflitos entre eles; não importa se isso vai para página, tela.

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