Ouvi falar de Salomé? Foi a primeira ativista gay

Estadão

19 de abril de 2010 | 23h09

Anos 80, para mim, sao historias. Nos 90, a realidade gay fez sentido. A vivi por meio de amigos, e marchei com eles pela Paulista na primeira parada GLS – que so em 01, perdeu o S (simpatizantes) e ganhou o B (bissexuais) e T (trangeneros). Ok, as pessoas precisam de validacao, so que gay é gay, é uma escolha e pronto. E quanto mais nicho, mais municao para gente de cabeca fechada. Nao importa, nao é mesmo? Agora… imagine que, se somente nos anos 00 o “B” e o “T” entraram para a sigla, como era a vida de Salomé na ditadura dos anos 60? Foi a primeira transformista, artista, que brigou ativamente pelos seus. E, dramaaaaa, foi esquecida.

Dai é interessante saber que dia 23 estreia no Teatro do Ator, o espetáculo Rosas Brancas para Salomé, escrito por Gladston Ramos para contar o como foi a vida da pioneira da noite gay.

Salomé desafiou uma época homofóbica e perigosa para a integridade humana em nome da liberdade e da individualidade.

A peça é ambientada no camarim de Salomé após uma performance e a apresenta, em idas e vindas no tempo, fragmentos de seus melhores e piores momentos. A difícil vida de uma artista desafiadora é narrada em tom intimista, confessional e em alto astral, estado de espírito que lhe era intrínseco. Entre as melhores lembranças, está sua apresentação ao lado do ícone homossexual Madame Satã -já muito bem interpretado por Lázaro Ramos no filme homônimo de Karim Aïnouz. Salomé também conviveu com outros mitos polêmicos, como Dercy Gonçalves, Dalva de Oliveira e Elizete Cardoso.

No papel da transformista Salomé, a drag Salete Campari, que experimenta a mesma felicidade e dificuldades inerentes ao transformismo nos palcos brasileiros. Salete colabora ainda para o espetáculo assinando a própria maquiagem e também a cenografia, os objetos de cena do camarim. A direção do texto foi entregue para a dupla Nicole Puzzi e Julio Wargas. –responsavel tambem pela trilha sonora.

Sem fins lucrativos, a peça terá o seu ingresso (2 kg de alimentos não perecíveis) revertido para a Casa da Brenda Lee, que abriga portadores do vírus HIV rejeitados por parentes e amigos ou R$10,00 para o espetáculo

TEATRO DO ATOR – Praça Franklin Roosevelt, 172
As 21h00

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