Mid Jardins, um novo epicentro artsy de SP

Estadão

17 de março de 2010 | 21h34

Olha a tendência: no fatídico e recessivo 2009 houve um êxodo de marcas da região nobre dos Jardins. Na quadra da Consolação, entre Oscar Freire e Lorena, há um movimento interessante: a formação de um polo de cultura. Lojas de fashion dão lugar a espaços de arte. Leitor, vamos chamar essa região de Mid Jardins? Tudo é muito novo. Isabella Capeto abre com Felipe Dmab a Acervo Aberto. Converteu metade de seu imóvel do Mid Jardins em um espaço de investigação artística – e deu ao agitador e produtor cultural Felipe Dmab o trabalho de encontrar ‘coisas’ e pessoas interessantes ligadas à arte, ao design e à literatura. Para mostrarem e venderem o que fazem. Batizado Acervo Aberto, o espaço está de portas já escancaradas e tem inauguração oficial dia 20. “Há muita gente produzindo arte na paralela de seus trabalhos e gente jovem a fim de testar a reação do público e seu potencial”, explica Dmab. “Não haverá um compromisso burocrático ou institucional com o artista. Acervo Aberto é uma loja de oportunidades e coisas legais de arte e cultura.” Não é galeria; é um hotel para obras e situações. No menu? Desenhos de nanquim de Beatriz Chaimovitz e arte de Bruno Faria, Filipe Berndt, Gustavo Ferro e Renata Terepins, livros da Prólogo, que pinça da web seus escritores, o fanzine Amarello e arte do ‘Beco’.

  

Felipe Dmab no espaço de arte. A abertura oficial é dia 20. Foto: Rodrigo Almeida Prado

Felipe Dmab no espaço de arte. A abertura oficial é dia 20. Foto: Rodrigo Almeida Prado

 

Faux/Real é um achado da Acervo Aberto para a loja da Isabela Capeto
 
A loja do Dmab vai ser babado. Ele conseguiu trazer para o País as emo-bijoux Faux/Real, feitas pos designers Luis DeChicco e Mariko Ouichi. Ele, colombiano; ela, japonesa. Para criam os dois brincam com dicotomias e usam materiais não ortodoxos , como meias de seda, vidros e metais encontrados por aí.
Louis DeChico e Mariko Ouchi: designers da Faux/Real

Louis DeChico e Mariko Ouchi: designers da Faux/Real

 
 
O quê diferente da Faux/Real é fazer jóias-emocionais; que tem uma história. “As pessoas tem vazios e a necessidade de preenchê-los com coisas”, diz De Cicco. “Temos essa ideia de que a fachada dessa época está desmoronando e pessoas querem entender o que há por traz ou dentro do que gostam.” Contar uma história agrega valor, e isso é tendência. A coleção que chega a Acervo Aberto foi criada num momento de luto dos designers, que pesquisaram a estética de filmes de terror e shows de mágicas. O resultado?: peças de sensação cinética e bem arquitetônicas. “Os fios de colares remetes à cordas de piano usadas para estrangulamento”, Mariko explica. As jóias têm movimento. Para entender, assista a o vídeo da coleção Death Instructions:

O vizinho
Na casa vizinha ao Acervo Aberto na Isabela Capeto tem o Cezanno.  É um american-bistrô da chef fabiana Cesanna, que pretende fazer no topo do lugar um micro-hote. A base já foi erguida pelo arquiteto Roberto Loeb. O plano de Fabiana é ter os três quartos do micro-hotel boutique em funcionamento. Antes disso, abre a loja de design da Galeria Mendes-Wood. Se você passar por lá vai ver um scratch do que será o lugar. Na parede há a foto do lutadorzito de box do ensaio Birthday Party de Vee Speers. E está à venda.

 

Fabiana no Cezzano: vá que o lugar é uma delícia. Foto: Rodrigo Almeida Prado

Fabiana no Cezzano: vá que o lugar é uma delícia. Foto: Rodrigo Almeida Prado

 

Entrada do Cezzano. Ao fundo a loja de design da Mendes-. Foto: Rodrigo de Almeida Prado

Entrada do Cezzano. Ao fundo a loja de design da Mendes-. Foto: Rodrigo de Almeida Prado

 

Boxer da série Birthday Party, de Vee Speers: está à venda na loja da Mendes-Wood

Boxer da série Birthday Party, de Vee Speers: está à venda na loja da Mendes-Wood