Alexander Wang, Phillip Lim 3.1, Celine & Phoebe Philo, Isabelle Marant: coleções chegam hoje ao mercado brasileiro

Estadão

27 de abril de 2010 | 19h52

 Alexander Wang, Phillip Lim, Celine e Isabelle Marant são marcas hoje pop na boca de quem gosta de high-fashion. Os chineses têm bom cartaz em NY. Marant é a estilista que veste as garotas boho-chic parisienses desde o início dos anos 90, só que faz um reentre no foco por iniciar este ano plano de expansão da marca com a abertura de sua primeira loja fora da França, em NY neste abril. E Celine revive com a direção artística de Phoebe Philo. As quatro marcas estão no portfólio da NKStore, que hoje, dia 27, faz seu primeiro desfile de importados, comemorando 10 anos de mercado. Pas mal de tout, já que o comércio de moda internacional está praticamente parado em São Paulo, por conta da suspensção dos importados da Daslu – e está inclusa no pacote a Chanel, que até então foi administrada no País por Eliana Tranchesi. Não será mais. Como contei primeiro de todos no Estado, a Maison Chanel vai começar operação própria e abrirá loja no Iguatemi. Sabe em frente a rampa do relógio, famosa do Iguatemi? então… acabou a rampa, Chanel de cara. Voltando para o foco,Wang, Lim, Celine e Isabele…

 

Quem faz o que e como?

Alexander Wang
Ele é um chinês americano, radicado em Manhattan após viver os teens em Castro, o bairro tricha de São Francisco. Viu o filme Milk de Sean Penn? Pense em Emile Hirsh como a monette-assistente de Milk… Isso. Alexander Wag tem aquele jeito debochado, histérico, escandaloso e assim é também como absolutamente competente. Está com 24 anos e um business de US$ 25 milhões feitos com a venda de… 6 coleções. “Tenho muita sorte de ter Aimie como cunhada”, diz Wang sobre sua contadora. O comentário é típico chinês, cujo método de trabalho é, ao contrário do que imaginam ocidentais, pautado por relações interpessoais, arquitetadas para florescer em cerejas a longo prazo. Chinês precisa confiar e muda, sim, de ideia caso o negócio não vá como imagina. Isso explica dois fatos: Wang ter deixado a Central Saint Martins e a Parsons – as melhores escolas de moda – por sentir falta de direcionamento para business. Explica também o fato de ter montado seu ateliê em torno de sua família. O irmão faz o branding; a mãe chefia o ateliê, a cunhada vende. E não, Alexander não tem a ver com a designer Vera Wang, das noivas. Wang é para chinês como Silva para brasileiro: nome comum. O que ele faz de bom? desconstrói alfaiataria masculina em peças superfemininas e recortes de esporte em prêt-à-porter. É ousado, e clássico: usa preto e marinho como cores dominantes. O que esperar: leggings de couro, moletons recortados, camisetas com imagens de filme.

Phillip Lim
Se Wang é o mais falado hoje, Phillip Lim era praticamente ontem o tal. Ok! Nem sempre um estilista é assunto única e exclusivamente por conta de roupas. Wang tem 24; Lim 34 – e esses dez anos implicam uma enorme diferença de comportamento e, consequentemente, da temperatura de conversas em torno deles. Lim veste as mulheres com pedigree e pouca prudência. Edith Bouvier Beale é uma musa. Estourou em hype logo na primeira coleção, também por fazer recortes clássicos esportivos em prêt-à-porter. Ganhou a crítica, dobrou na crise e fez US$ 12 milhões. Acrescente ao tom comercial, uma estratégia agressiva de posicionamento de marca para vestir celebs como Natalie Portman e Kate Hudson.

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Phoebe & Celine

Só para lembrar: Phoebe Philo foi assistente de Stella McCartney na Chloé. Eram grudadas desde a escola Saint Martins e pararam de se falar porque não quis acompanhar Stella quando esta saiu da maison. No backstage dizem que o talento-mor da dupla era Philo e fato é: nos anos 2000 as fashionist as se acabaram em batas, calças de cintura alta e bolsas mil desenhadas por ela para a Chloé. Talento inegável. E o interessante é que o ego não impediu que deixasse o cargo cobiçado para focar na família. Três anos vegetando como simples menina inglesa foram o suficiente para que aceitasse, em 2008, a proposta de Bernard Arnault para recuperar o posto da Celine no ranking de marcas essenciais do prêt-à-porter francês. As meninas que sempre gostaram de Chloé, agora mais maduras, vestem Celine.

Olha que cara a Celine tem hoje:

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Isabelle Marant
Minha preferida: Isabel. Desde os anos 90, a designer veste as minettes francesas. Estilo? bo-bo ou… bourgeois bohéme, nome dado às meninas que circulam na Rive Gauche. Isabelle faz roupa para ela, e se não se sente bem com looks não os produz. São incrívelmente simples of os pulls, botas e camisas. Com isso, quero dizer: incríveis e básicos – tipo de roupa que nem é tão barata mesmo na França, mas que não envelhece como as tendências. A designer só não é mais popular porque se manteve longe do mercado americano para controlar a qualidade. Por opção: “quanto maior o passo; mais o erro. Prefiro qualidade”, me disse uma vez no Maxime. Totalmente verdade.