Liga vai se pronunciar sobre tumulto no carnaval

Estadão

26 de março de 2012 | 17h46

CANDINHO NETO
 
A LIGA Independente das Escolas de Samba de São Paulo deverá se pronunciar com relação ao posicionamento que tomará internamente após o anuncio feito na semana passada  pela  Polícia Civil responsabilizando diretamente nove pessoas  pelo tumulto durante a apuração do carnaval 2012 no sambódromo do Anhembi.
Entre elas estão os presidentes da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, e da Pérola Negra, Edilson Carlos Casal, o Nego, que responderão por provocarem tumulto. O representante  da Império de Casa Verde,  Tiago Farias, indiciado por dano ao patrimônio e supressão de documento, pelo fato de haver saltado o alambrado e rasgado os papéis contendo as duas últimas notas, interrompendo a apuração, o mesmo indiciamento atribuído a Cauê Santos Ferreira, representante da Gaviões da Fiel. Alexandre Cabrino Salomão e Washington Alessandro Campos, ambos da Camisa Verde e Branco,   responderão por supressão de documentos. Foram indiciados por atear fogo no carro alegórico da Pérola Negra,  os representantes da Gaviões da Fiel, Edinei Moraes Sarmento, Luciano Zacarias e Thiago Henrique do Nascimento.
 
Novo modelo de apuração

O que se espera agora  é que  haja não apenas punição aos diretamente envolvidos (dirigentes, componentes e entidades)  no lamentável episódio, mas principalmente uma reformulação profunda no formato das apurações das notas no momento em que é apresentado o que já está definido pelos jurados dos desfiles das escolas de samba.
Claro que quem é do mar não enjoa, como diz o bordão popular, ou seja, quem gosta de curtir participando diretamente ou apenas assistindo o puro carnaval compreendido desde o baile de máscaras, a fantasia, concurso de fantasias, desfiles de bandas e blocos carnavalescos e principalmente de escolas de samba, jamais deixará de apreciar os momentos felizes da grande festa popular. 
Em São Paulo, o que não se pode mais é conceber aquilo que infelizmente ficou marcado na memória televisiva e popular ocorrido no dia 21 de fevereiro de 2012, a terça-feira gorda e tumultuada de carnaval.

Ameaças na saída do Pacaembu

Após o jogo Corinthians e Palmeiras no domingo à tarde, no estádio Paulo Machado de Carvalho, no Pacaembu, torcedores da Mancha Verde nos ameaçaram sinalizando que não aparecêssemos mais  na quadra da entidade  em referência à nota 9,3 que determinamos à escola de samba palmeirense em nossa análise feita após o desfile no carnaval deste ano. A propósito, lembramos que nossa análise em nada prejudicou a colocação final da Mancha Verde, que alcançou a quarta posição entre as 14 escolas concorrentes. 
Por outro lado, sem também haver influenciado em absolutamente nada na classificação final dos desfiles das escolas  da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, acertamos em cheio na vitória da Mocidade Alegre no Grupo Especial e da Nenê de Vila Matilde no Grupo de Acesso.
Gostariamos de deixar bem claro que não pretendemos levar adiante tais ameaças de alguns verdadeiros torcedores e não sambistas que não comungam com a direção da escola de samba Mancha Verde em apenas olhar o carnaval paulistano como disputa no sambódromo durante os 65 minutos de apresentação, sem querer misturar o fanatismo do futebol que infelizmente fez no último domingo outra vitima fatal da violência entre torcidas organizadas, com a paz que também deixou de existir no samba e carnaval de São Paulo, a julgar os lamentáveis incidentes ocorridos na amplamente noticiada  apuração das notas em São Paulo. O que apenas solicitamos é que possa o pessoal da escola de samba Mancha Verde refletir melhor sobre suas palavras e principalmente atos em favor ao crescimento do samba e carnaval da maior cidade brasileira.

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