Liga e prefeitura falam sobre apuração no Anhembi

Estadão

22 Fevereiro 2012 | 23h02

CANDINHO NETO

A  troca de última hora  de dois jurados dos desfiles do Grupo Especial, teria gerado toda a confusão durante a apuração das notas no Sambódromo do Anhembi na tarde da última terça-feira de Carnaval. A invasão do espaço  onde estava a mesa apuradora das notas determinadas pelos jurados  por Tiago Ciro Tadeu Faria apontado como  componente da Império de Casa Verde (cuja diretoria da entidade  nega ser membro da escola)  que pegou, rasgou e ocultou as anotações contendo o resultado das últimas notas a serem computadas , foi o estopim de toda confusão. Também Cauê  Santos  Ferreira  torcedor  da Gaviões da Fiel acabou preso e responderá  por vários crimes: dano ao patrimônio Público, ocultação de documentos.

Na coletiva da LIGA verificada  nesta quarta-feira a tarde, Paulo Sérgio Ferreira, o Serginho respondeu a  várias perguntas dos jornalistas, principalmente quanto ao futuro do Carnaval Paulistano que passa  por delicado momento.  O presidente  da LIGA, disse  que a Comissão de Ética da entidade, formada por três representantes que não deu os nomes dos mesmos, deverá colher as informações, analisá-las e posteriormente agir com o rigor que o caso requer. Para isto serão levados em conta os itens do Regulamento da LIGA e o contrato firmado com a Prefeitura através da SPTURIS  quanto a quebra de decoro disciplinar relacionado ao incidente ocorrido na apuração dos Desfiles do carnaval Paulistano 2012. Para divulgação final das apurações  que poderá inclusive determinar o banimento de escolas de samba e dirigentes sambísticos, disse Sérginho que serão analisadas e levadas em conta  principalmente as investigações policiais que estão sendo feitas também com relação a outros possíveis dirigentes sambistas envolvidos no tumulto que causou mal estar no Reinado de Momo de São Paulo.

A  posição do prefeito

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente da São Paulo Turismo (SPTuris, empresa de turismo e eventos da cidade que faz parte da organização do Carnaval), Marcelo Rehder,  também em  entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira  comentaram sobre as providências que serão tomadas após os incidentes que ocorreram durante a apuração das notas das escolas de samba para a decisão do Carnaval 2012. “Gostaria de registrar, em primeiro lugar, o brilho mais uma vez do Carnaval paulistano, a cada ano apresentando para brasileiros e para aqueles que vêm de outros países conheçam nosso Carnaval; um Carnaval sempre melhor, mais bonito, com mais participação popular. A Prefeitura de São Paulo entende a importância dos grandes eventos da cidade de São Paulo e o Carnaval é um destes grandes eventos. E não apenas o evento por si só, mas uma festa com participação popular, que tem o nosso apoio e continuará tendo o nosso apoio. Evidentemente, o incidente lamentável que aconteceu  na apuração dos resultados com vistas a selecionar as melhores escolas, seja para escolher a vencedora, seja para escolher e definir aquelas que seriam rebaixadas, marca fundo e requer, tanto da Liga, quanto da Prefeitura, providências para que o incidente sirva de lição e que aperfeiçoamentos sejam feitos na organização do nosso Carnaval”, declarou o prefeito durante seu pronunciamento. Kassab afirmou que vai incorporar ao contrato com as escolas que a responsabilidade pela segurança durante o Carnaval passará a ser integralmente coordenada pela Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTuris. Até o momento, somente a segurança do entorno do Sambódromo era coordenada pela empresa municipal. Na parte interna, a responsabilidade era da Liga das Escolas de Samba de São Paulo. “Vale aqui registrar que a Liga, ao longo dos últimos anos, teve e continua tendo um comportamento muito solidário, muito correto, muito respeitoso em relação ao contrato, em relação a suas responsabilidades, porém é evidente que existem falhas, principalmente na questão da segurança”, disse o prefeito, que ressaltou, no entanto, que o problema não foi a Liga ou o Carnaval, mas um incidente pontual.  Com relação a possíveis punições, o presidente da SPTuris disse que, antes de qualquer providência, vai esperar o resultado da investigação policial e da averiguação interna da Liga. Se for realmente comprovada a ligação direta de dirigentes das escolas e das próprias agremiações nos incidentes, haverá punição, podendo até mesmo ser cancelado o repasse de verba para estas escolas por até dois anos, medida prevista em contrato.