Liga completa 26 anos e inaugura sede reformada

Estadão

22 de junho de 2012 | 17h20

A LIGA Independente das Escolas de Samba de São Paulo completou, no dia 19 de junho, 26 anos de sua fundação. A festa realizada na sede da entidade, no bairro da Ponte Pequena, região central da cidade, teve como foco principal a inauguração do plenário que leva o nome do sambista Marko Antonio da Silva, o Markinho, falecido em abril de 2011. O espaço funcionará como sala de reuniões e outras atividades do samba paulistano.

Ex-presidente da Tom Maior e vice-presidente administrativo e de comunicação da LIGA, Markinho foi representado na oportunidade por Luciana Silva, sua irmã e atual presidente da Tom, e por Mauricio Silva, presidente do Conselho Deliberativo da escola do Bom Retiro.

Para Luciana, esse reconhecimento foi um momento emocionante em sua vida. Ela entende que ter uma sala no nome de seu irmão nas dependências da LIGA, onde todos estão a favor, significa que ele foi uma pessoa muito importante não só para a Tom Maior e para a LIGA, mas também para todas as outras escolas de samba coirmãs. “Isto é realmente gratificante para mim”, disse.

O termo ” Quem corre atrás do que gosta, não se cansa”, bordão muito usado por Marko Antonio da Silva, foi colocado na placa que fica na entrada do plenário, no quarto andar da sede da LIGA. “Agora é a frase de cada momento em minha vida”, afirmou Luciana Silva.

Palavras do presidente Serginho

O Presidente da LIGA, Paulo Sergio Ferreira, o Serginho, disse que é uma glória celebrar os 26 anos da entidade, que participa de um carnaval disputadíssimo e é mais antiga que o espaço onde a festa é realizada, o sambódromo do Anhembi.

O mais importante neste aniversário, para o presidente da LIGA, foi a remodelagem feita no prédio, agora sim, à altura da festa. O investimento na reforma da sede irá custar cerca de R$ 1,5 milhões, até o fim das obras. A modernização engloba os quatro do prédio e a fachada. Quem passar pela Av. Santos Dumont à noite terá a oportunidade de presenciar um sofisticado sistema de iluminação mostrando os emblemas das escolas de samba associadas nas suas respectivas cores. A ideia é também se colocar um relógio que também mostre a contagem regressiva, em dias, para a realização do carnaval 2013.

A proposta é que a LIGA passe a abrigar, além das reuniões de trabalho, um programa que divulgue, às terças-feiras, tudo sobre os bastidores do carnaval paulistano. Isso incluiria explicar ao público como funciona o carnaval, o credenciamento de Imprensa, a segurança, o sistema de som e a bilheteria, enre outros itens.

Com a suntuosidade de sua nova sede, a LIGA acredita que terá mais condições de trazer novos parceiros para o carnaval. A ideia é fazer grandes projetos para as escolas de samba, que poderão usar o espaço para fechar negócios comerciais e institucionais. “Teremos a realização de vários tipos de cursos dentro do prédio”, disse o presidente da LIGA. Serginho agora aguarda a tão esperada Fábrica do Samba prometida pela Prefeitura, que dará condições ao crescimento do carnaval paulistano.

A opinião da SPTuris e da Prefeitura

O diretor da SPTURIS, Luis Salles, que representava a Prefeitura na festa, destacou dois aspectos da abertura da nova sede: primeiro, o investimento feito pela diretoria da LIGA que garantiu mais qualidade ao espaço, e a homenagem a Marko Antonio da Silva, uma pessoa visionária, muito ponderada, de fino trato, que entendia os antagonismos e sempre procurava soluções para os problemas que surgiam em sua frente.

Carnaval 2013

Com relação ao carnaval 2013, Salles salientou que tanto a SPTuris como a Prefeitura estão se preparando para disparar o cronograma de trabalho, seguindo orientação do Prefeito Gilberto Kassab em atender da melhor forma possível a realização do próximo Reinado de Momo Paulistano. No momento se discute a assinatura de contrato entre a Prefeitura e a SPTuris e após isto serão chamadas as entidades carnavalescas para a discussão e assinatura de contratos.

No momento, segundo o diretor da SPTuris, a maior dificuldade enfrentada pela administração da empresa que representa a maior festa popular em São Paulo está sendo com relação à Uesp – União das Escolas de Samba Paulistanas – que, por força de dívidas contraídas com a administração pública, não pode firmar contrato direto como representante legal das escolas e blocos carnavalescos a elas filiadas e estas agremiações, por serem humildes e sem a devida estrutura, estão merecendo um cuidado especial por parte da diretoria e gerência de eventos da SPTuris, que espera colocar as coisas em ordem o mais breve possível.

Novo racha no carnaval

Muito embora haja na atualidade um racha na Uesp com o surgimento da Aicasp – Associação Independente do Carnaval de São Paulo –  algo parecido com a existência da LIGA e a Super LIGA, desfeito em 2011, para o diretor da SPTuris, tal qual quando da LIGA e Super LIGA cujas escolas assinavam contrato de carnaval diretamente com a empresa municipal de Turismo da Cidade de São Paulo, isto também deverá ocorrer com as duas entidades representantes do Grupo Um, dois, três,quatro das escolas de Samba e blocos carnavalescos constantes em ambas as agremiações carnavalescas que até o último Reinado de Momo estiveram sob o teto da Uesp – União das Escolas de Samba Paulistanas.

As quase 50 entidades pertencentes à Uesp e à Aicasp assinarão contrato direto com a SPTuris, agora quanto ao regulamento dos desfiles, isto as entidades terão que resolver e apresentar para as devidas providências práticas tanto contratuais como de segurança pública junto aos órgãos externos: Policia Militar – CET – Sub-Prefeituras – GCM – Policia Cilvil no sentido do bom andamento dos desfiles carnavalescos em 2013.

LIGA, Abasp e ABBC

Para Luiz Salles, do ponto de vista da organização dos desfiles carnavalescos de 2013, os desfiles da Abasp – Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo, da ABBC – Associação das Bandas Blocos e Cordões Carnavalescos Do Município de São Paulo e da própria LIGA Independente das Escolas de Samba de São Paulo que coordena os desfiles dos Grupos Especiais e de Acesso no Sambódromo do Anhembi, a coisa está bem mais simples de se resolver.

Salles lembrou que as entidades representantes das bandas e blocos carnavalescos – Abasp e ABBC, assinam e representam as agremiações a elas filiadas. No caso da LIGA, muito embora seja a entidade aquela que dirige os destinos dos desfiles carnavalescos das escolas de samba dos Grupos Especial e de Acesso, as agremiações a ela filiadas, assinarão contrato direto com a SPTURIS.

Acredita Luiz Salles que tudo esteja dentro dos conformes administrativamente falando, e que aquele incidente ocorrido na apuração 2012 no Sambódromo que ofuscou o brilho do carnaval paulistano, já teve a penalização por parte da Prefeitura e agora é partir para um excelente Carnaval 2013.

Cidade do Samba

Com relação à Cidade do Samba prometida para ser erguida próximo à Ponte da Casa Verde, na Marginal Tietê,  as obras estão fluindo, segundo Salles. O diretor da SPTuris acredita que tudo possa deslanchar quando as chuvas cessarem e derem condições técnicas para se efetuar as fundações das obras, cujo espaço no momento está sofrendo processo de manejo de terraplenagem. A esperança do representante da prefeitura é que no final de julho deste ano já se possa ter as primeiras pilastras erguidas na Cidade do Samba.

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