Beyoncé, funk e balada eletrônica na quadra das escolas

Estadão

13 de agosto de 2012 | 22h42

Para enaltecer ainda mais a crítica do
cardeal do samba Carlão da Peruche
Estendendo a crítica do cardeal do samba, Carlos Caetano, o Carlão da Peruche, fundador da Unidos do Peruche e presidente da associação da velha guarda do samba do Estado de São Paulo, com relação ao desaparecimento dos antigos carnavais, cuja matéria referente a homenagem por ele recebida na Câmara Municipal de São Paulo apresentamos abaixo, diríamos ainda que, além de concordarmos com tudo que foi dito pelo embaixador mestre do samba, a triste invasão não apenas da música estrangeira como também os costumes e a chamada “modernidade” que atingiu nas escolas de samba a mentalidade de seus dirigentes e principalmente de figuras de grande representatividade carnavalesca na cidade.

Beyoncé na Vai-Vai
O cidadão-samba 2012, Fernando Penteado também diretor-geral de harmonia da Vai-Vai do Bixiga comentou estar sua entidade com ideia de programar a vinda da cantora norte-americana Beyoncé para inaugurar sua ainda suposta quadra a ser anunciada futuramente na Bela Vista/Bixiga, centro de São Paulo.

Este comentário foi feito por Penteado momentos antes do sorteio da ordem do desfile das escolas de samba do grupo especial e do acesso da Liga, ocorrido dias atrás no hotel Holiday Inn no Anhembi, onde em companhia de alguns jornalistas que cobriam o evento foi mencionado que com a chegada da linha do metrô Vila Brasilândia-Estação São Joaquim, que segundo informações do governo será construída no local da atual quadra da entidade na Rua São Vicente próxima à Praça 14 Bis e Av. Nove de Julho, provavelmente determine ser o carnaval 2013 o último da história da Vai-Vai no mencionado local.

New York, New York
A cidadã-samba de São Paulo 2012, a sambista Maria Helena dos Santos, da escola de samba Tom Maior, ao ser por nós indagada se contrária ou não sobre a execução da música New York, New York (um dos principais sucessos de Frank Sinatra) na festa da associação dos apresentadores de casais de mestre-sala e porta-bandeira, dias atrás, na quadra da Rosas de Ouro (cuja entidade cedeu o espaço para o evento), a consagrada sambista também embaixadora do samba de São Paulo simplesmente nos disse que hoje em dia as coisas estão mudadas com relação a eventos realizados nas quadras de samba paulistanas.

Bailes funk
Em entrevista exclusiva que nos concedeu Marcelo Casa Nossa, diretor de carnaval da Império de Casa Verde, foi salientado pelo dirigente que, senão a principal, uma das grandes fontes de renda da escola da zona norte é a realização mensal de bailes de funk na quadra da escola do Tigre Guerreiro.

Balada eletrônica
Fechando esses absurdos contra a arte e cultura popular brasileira consubstanciada no samba e carnaval que é financiada na sua grande maioria pela Prefeitura de São Paulo, através da SPTuris, a escola de samba Unidos de Santa Bárbara, campeã do grupo um 2012 da União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp), o que lhe garantiu participar do grupo de acesso 2013 da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, dias desses realizou “monumental” balada eletrônica em sua quadra de samba, localizada no bairro do Itaim Paulista, na zona leste.

Corrida ao ouro
Falamos com alguns dos dirigentes da Unidos da Santa Bárbara sobre a realização do evento e os mesmos argumentaram ter sido um grande acontecimento no samba paulistano e ser a quadra da escola apenas um espaço a ser ocupado para os vários eventos direcionados à sua comunidade, no sentido de se arrecadar dinheiro para poder colocar com mais força a entidade na avenida iluminada .

O exemplo começa no Sambódromo do Anhembi
Na verdade esse tipo de balada eletrônica promovida no espaço do samba e carnaval em terras de Piratininga já é adotado há muito tempo, quando dos desfiles das escolas de samba da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo nos camarotes do Sambódromo do Anhembi (inclusive o da Prefeitura ), que sem pudor algum ao invés de dar bom exemplo executando sambas, marchinhas, frevos, maracatu e até axé-music , ritmos estes que simbolizam a maior festa popular brasileira, preferem propagar ainda mais o chamado ritmo “universal” que não simboliza em nada o reinado de momo do Brasil.

Esperança no futuro
Esperamos que as crianças, os jovens e mesmo os adultos componentes de todas as entidades acima mencionadas, cujos dirigentes e personalidades do samba de São Paulo, como disse Chico Buarque de Holanda em samba ontológico da década de 1960, “Desatinaram”, possam com todos esses desencontros aprender ao menos o samba enredo 2013 de suas respectivas escolas e apresentarem um grande desfile no reinado de momo do próximo ano, não apenas no Sambódromo do Anhembi, mas por outros lugares que vierem a desfilar.

Novas gerações de sambistas e dirigentes
Diríamos ainda esperar que surjam outras gerações de verdadeiros sambistas capazes de levar avante para outras eras a autenticidade do passado recente formado por verdadeiros baluartes como Tuniquinho Batuqueiro, Geraldo Filme, B. Lobo, Zeca da Casa Verde, Talismã, Oswaldinho da Cuica, bem como dirigentes do samba como: Seo Nenê da Vila Matilde, Innocendio Thobias da Camisa Verde e Branco, Pé Rachado da Vai-Vai, madrinha Eunice da Lavapés, Eduardo Basilio da Rosas de Ouro, Juarez da Cruz da Mocidade Alegre e o próprio Carlão da Peruche.

Cardeal do samba paulista homenageado
e criticando o desfile no Anhembi
Carlos Alberto Caetano, conhecido como o cardeal do samba “Seo Carlão”, da Unidos do Peruche, foi homenageado nesta sexta-feira pela Câmara Municipal com a entrega de medalha Anchieta e diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. Integrantes da velha guarda da Unidos do Peruche, Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Barroca da Zona Sul, além de familiares e convidados, lotaram o salão nobre da Câmara Municipal para aplaudir o sambista.

“Se me dissessem que um dia eu seria homenageado por ser sambista, eu diria que isso era uma utopia. Quem é veterano sabe que a sociedade não aceitava. Há 40 anos tratava-se de algo de etnia. Foi muita luta”, disse “Seo Carlão”, que é crítico em relação à organização do carnaval. “Hoje ando três vezes mais para chegar ao Sambódromo do que cruzando a avenida. Saímos de lá para a nossa quadra para poder brincar, comemorar. Os bailes infantis acabaram. Hoje um jovem não sabe o que é uma fantasia de pierrô e colombina”, diz.

Oswaldinho da Cuíca, da Vai-Vai, elogiou o companheiro do samba. “É uma homenagem merecida e tardia. É um privilégio estarmos aqui juntos, porque muitos não puderam ser lembrados, como Dionísio Barbosa, de 1891, seu Enricão, de 1908, seu Zezinho do Banjo, de 1911, Zeca da Casa Verde, de 1927, seu Geraldo, também de 1927, seu Toniquinho, de 1929 e ‘Seo Carlão’, de 1930”, completou Oswaldinho.

A trajetória de “Seo Carlão” começou em Pirapora do Bom Jesus, a 54 km da capital. Filho de pais religiosos, ele acompanhava anualmente a família à romaria e festa de Bom Jesus. Enquanto sua mãe frequentava a igreja, todos os finais de semana, seu pai o levava para um barracão em que se ouvia o jongo, forma de samba primitivo.

Ao longo de sua história, “Seo Carlão” participou de diversas agremiações do carnaval de rua paulistanas e da escola de samba Lavapés, do Cambuci. Em 1956, ajudou a fundar a Unidos do Peruche.

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