Novos Repertórios Curitiba: Uma gira digital negra e sem fim

Novos Repertórios Curitiba: Uma gira digital negra e sem fim

Leandro Nunes

31 de julho de 2017 | 16h02

Curitiba

A urgência que é capaz de habitar o teatro nem sempre é uma verdade autoevidente. Isso pelo fato de que a construção de sentido toma caminhos diferentes de criação e compreensão. Por isso o teatro pode abrigar todas as possibilidades.

Se por um lado isso é entusiasmante, existe a necessidade de alcançar o tempo presente. A combinação de urgências com o tempo presente pode ajudar a redimensionar o olhar sobre a atualidade, embora tenha tão pouco poder de transformá-la a curto prazo e diretamente. A revolução do teatro está em contaminar público e artistas de novas perspectivas e isso não é pouca coisa.

Foto: Lina Sumizono

A construção dessas perspectivas pode estar na mira de Macumba: Uma Gira sobre o Poder. Entretanto é difícil dizer o que não está na mira da Companhia Transitória. Desde a lista dos negros mais ricos do mundo, os mitos de origem africana, o candomblé, a espiritualidade, o movimento negro contemporâneo, os navios negreiros, UFA! Não é possível ignorar a importância estética e história de cada um desses tópicos. No entanto é preciso levar em conta que uma pesquisa sobre cada um é capaz de redundar em repertórios para uma década pelo menos.

A ambição da companhia em tentar correlacionar tantas interlocuções é um atenuador na construção de sentido. A medida em que se adiciona uma nova pauta é preciso levar em consideração que existe um conjunto. Por se assemelhar ao modo de comunicação digital, a montagem se distancia da artesania teatral e lança links de assuntos relevantes que se acumulam uns sobre os outros, sem progressão.

Foto: Lina Sumizono

Quando a companhia encara o discurso como principal arma, os outros elementos formais padecem na cena. As canções, as vestimentas, os instrumentos, os versos e tudo que deveria soar poético ganha funções acessórias. De música temos sons, de figurino temos fantasias, de versos temos retórica. A intenção resguarda a razão de estar e ser em cena mas o contrário exotiza.

A falta de unidade também percorre o corpo dos atores. No fim, não se dança, não se canta, não se narra, pois o argumento ativista desequilibrou a natureza do teatro.

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