Um bom momento para discutir gênero na música
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Um bom momento para discutir gênero na música

Against Me! fez uma das melhores músicas do ano até agora e As Bahias e a Cozinha Mineira mostra que, em começo de carreira, é possível fazer um show tão imperdível como o de grandes veteranos

Alexandre Ferraz Bazzan

29 Agosto 2016 | 00h35

“Se você, de alguma maneira, odeia gays, pessoas de outras cores ou mulheres, faça-nos um favor – nos deixe em paz. Não venha aos nossos shows e não compre nossos discos”

A frase de Kurt Cobain não passou despercebida no meio dos créditos do disco de sobras e lados B, Inseticide. O movimento Riot Grrrl foi uma influência grande para o cantor, que, por incrível que pareça, ainda chocava as pessoas com suas mensagens sobre igualdade.

Mesmo com todo o caminho pavimentado por Nina Simone, Ney Matogrosso, David Bowie, Siouxie Sioux, Kathleen Hanna e tantos outros, é impressionante como alguns temas são tabu até hoje e as pessoas continuam elegendo parlamentares que defendem violência contra mulheres e LGBTs.

Elza Soares fez no ano passado um dos melhores discos do mundo e foi elogiada em publicações estrangeiras e nacionais. Uma unanimidade. Liniker é outro artista que vem desconstruindo estereótipos, além de produzir boa música.

Veja outros artistas que discutem questões de gênero na música, performance e na vida:

José de Holanda/Reprodução

José de Holanda/Reprodução

As Bahias e a Cozinha Mineira lançou ano passado um bom disco no fim do ano que acabou passando batido por muitas das listas de melhores(inclusive a minha). O fato de estarem apenas no primeiro disco, não atrapalhou a banda a fazer um dos shows mais empolgantes do festival Fora da Casinha. AH, as “Bahias” são duas transexuais maravilhosas que dividem os vocais. Ouça o disco Mulher:

Laura Jane Grace é a vocalista, guitarrista e principal compositora do Against Me ! e se revelou trans e mulher. Coincidência ou não, a banda fez um disco (não autobiográfico)  sobre uma prostituta transgênero na mesma época em que Laura resolveu começar sua transição. Transgender Dysphoria Blues continua o afastamento, iniciado com o álbum New Wave, do som do começo da carreira, o punk com influências de folk, para dar espaço a um rock mais direto, com músicas que poderiam ser tocadas em estádios, ou o rock de arena, como os gringos gostam de falar.

Reprodução

Reprodução

O Against Me ! vai lançar seu sétimo disco completo no dia 16 de setembro, mas eles já anteciparam três novas músicas: 333, Haunting, Haunted Haunts e Crash, que virou este clipe maravilhosamente tosco com referências ao Guerra nas Estrelas. O título sugere a continuação na transição da banda e de Laura: Shape Shift With Me, algo como “mude de forma comigo”. E nós não estamos todos, de um jeito ou de outro, sempre mudando?