Tristezinha de motel (uma playlist)
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Tristezinha de motel (uma playlist)

Alexandre Ferraz Bazzan

11 Setembro 2018 | 15h35

Certa vez, em uma viagem de família, tivemos algum problema com a reserva do hotel e nos vimos sem lugar para dormir em uma cidade estranha. Começamos a rondar de carro por ruas desconhecidas em busca de algum quarto que abrigasse quatro pessoas e eu, no começo da minha alfabetização, li uma grande placa: MOTEL.

– Ali, mãe. Achei um

– Isso é um motel, não um hotel

Não demorou muito para que eu fizesse a pergunta:

– Mãe, qual a diferença de um motel para um hotel?

– Motel é um hotel em que você só pode ficar hospedado um dia.

Essa foi a forma mais honesta de explicar a função social de um motel para uma criança, mas obviamente não engloba tudo o que acontece atrás daquelas paredes.

Na adolescência aquilo virou sinônimo de sexo e eu não via a hora de poder ir com alguém até lá. Depois dos meus 20 e poucos, passou a ser um refúgio também amoroso, um lugar para ficar sozinho na horizontal(e em outras posições, claro) com as namoradas.

Um motel em Ribeirão Preto, minha cidade natal, oferecia quartos temáticos de várias cidades ou países e eu planejava rodar o mundo com minha namorada na época. Com o dinheiro que eu tinha essa era a única e mais prazerosa forma de conseguir.

A música que deu início a essa playlist é do segundo disco do Loudon Wainwright III, pai do Rufus, e se chama Motel Blues

Se no Brasil o motel tem conotação sexual, nos EUA esse tipo de estabelecimento pode ser simplesmente um descanso na beira da estrada e ficar mais próximo da explicação que minha mãe me deu mais de 30 anos atrás. Mas não é só um lugar para dormir antes de continuar viagem, é também um lugar de solidão, de lembrar quem não está ali. É um quarto barato, dentro do orçamento, mas também um pouco decadente(e isso a maioria dos motéis brasileiros também têm em comum). Graças à tristeza de um quarto sujo no meio do nada, da saudade e, por que não, do tesão não correspondido pela rejeição(ou distância), vários artistas da língua inglesa criaram algumas das músicas mais tocantes do pop.

Aqui algumas das minhas preferidas: