‘Sinto cheiro de remédio nesse dia ensolarado’
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‘Sinto cheiro de remédio nesse dia ensolarado’

Quando a única salvação é colocar um cd novo no som do carro sem saber o que vai ouvir

Alexandre Ferraz Bazzan

28 de abril de 2015 | 03h48

Existem dias em que você cria pequenos desafios para que ele não acabe em completa derrota. É como se você estivesse perdendo na roleta e não quisesse deixar a mesa enquanto não vira o jogo. Você torce para o carro dar passagem a uma senhora que atravessa a rua, para que ninguém fure sua fila no banco, para que o rapaz atrasado consiga alcançar o ônibus que já está fechando a porta. Ainda assim você continua no negativo da vida cotidiana. Não é fácil vencer em São Paulo, você tem que sair com uma mão muito boa.

Foto: Reprodução - Deluce

Foto: Reprodução – Deluce

Sem querer, consegui virar essa parada no último minuto. Quer dizer, tecnicamente já era o dia seguinte, mas tudo bem. O cd entra no som do carro e uma voz melodiosa começa a repetir “limpe a tristeza da cara.” É inevitável não sorrir com O Mundo de Deluce. Esse é o nome do primeiro disco de Deluce, um álbum otimista até quando trata de recalque de fim de relacionamento em Tão Melhor ou crítica à atual situação em A Vida é um Cabaret.

Destoa dessa levada a canção Vai à Merda em que ele diz “eu escrevi um livro de autoajuda, uma bosta”, outra sobre dor de cotovelo. A estreia de Deluce levanta o ânimo até de um pessimista nos dias mais cinzentos de São Paulo, mesmo ele sendo gaúcho, mas não se trata de autoajuda e também não é uma bosta.

São Paulo não é uma cidade bonita e nem foi feita para ser ensolarada. É preciso estar muito atento para encontrar um respiro nesta cidade remendada, mas, como diria Leonard Cohen, “existe uma rachadura em tudo e é por ali que a luz entra”. Nessa madrugada foi a música de Deluce.

PS-O título eu roubei da música Dói (Goy) do Deluce.

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