Ryan Adams, Kiko Dinucci e outros discos fundamentais deste começo de ano
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Ryan Adams, Kiko Dinucci e outros discos fundamentais deste começo de ano

Alexandre Ferraz Bazzan

07 Março 2017 | 05h02

Nesta vida, existem alguns tipos de banda: aquelas que você vai seguir não importa o que aconteça; aquelas que você nem gosta tanto, mas torce para fazer algo legal; aquelas que você gosta, mas desiste de apoiar porque piorou ou pelo fato de produzirem muito e, por último, aquelas que você odeia e torce para que não façam nada legal para que você não precise dar o braço a torcer. Feita essa introdução inútil, vamos aos principais discos de 2017(até agora).

The XX e Alt-J

Não gosto de nenhuma das duas. O primeiro single do Alt-J, 3WW, é o tipo de música que você pode colocar de fundo para lavar a louça. Não vai te incomodar, mas também não vai mudar nada. O disco completo sai no dia 9 de junho.

I See You, do The XX, já está disponível nos serviços de streaming. Se alguém chegar amanhã e me disser que na verdade esse álbum foi feito pelo Everything But The Girl, eu não me surpreenderia. Caso você goste do Everything But the Girls, isso de forma alguma é um elogio.

Já que tiramos isso do caminho, vamos ao que interessa.

Hard Love do Strand of Oaks

Tim Showalter tinha feito uma parceria perfeita com J Mascis, do Dinosaur Jr, na música Goshen ’97, do disco HEAL. Hard Love não tem um hino tão pujante, mas o conjunto de canções é até melhor que seu antecessor. Dá vontade de pegar um carro e não parar de dirigir nunca mais.

Prisoner do Ryan Adams

Em algum momento da carreira, ficou quase impossível acompanhar Ryan Adams. Ele arriscou até um rap tosco. Prisoner vem sendo celebrado como um dos grandes discos de fim de relacionamento. Talvez não seja para tanto, mas é um bom trabalho com tudo o que ele faz de melhor. Do You Still Love Me? é o pop/rock clássico para tocar no rádio. Imagine um Prince branco tentando evitar o fim de um relacionamento… é bem por aí, a única coisa é que o Prince provavelmente seria a pessoa que deu o pé na bunda e não a que levou. Esquece, esquece.

Abaixo, o cantor tocando no programa do Jimmy Fallon.

The Tourist do Clap Your Hands Say Yeah

Alec Ounsworth fez um dos discos mais brilhantes da primeira década deste século, depois ele perdeu todos os integrantes(que deixaram o Clap Your Hands Say Yeah sabe-se lá por que) e toda a relevância. Foram anos tocando nas salas das pessoas, no estilo Sofar Sounds, e em alguns festivais, até que chegou o aniversário de 10 anos do disco de estreia. Ele montou uma banda, que tocou em clubes (passou por aqui no Cine Joia) para públicos maiores, mas sempre com ar de nostalgia. Com The Tourist, ele faz algo tão bom quanto seus dois primeiros álbuns. As músicas se encaixam de forma pertinente, destaque para Down(Is Where I Want to Be), Unfolding Above Celibate Moon (Los Angeles Nursery Rhyme), Fireproof e Ambulance Chaser.

Abaixo, Alec finalizando a mixagem de The Tourist.

Finishing mixing with the inimitable Dove Feldman (aka Dave Fridmann)… CYHSY album 5 soon to come!

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Notes of Blue do Son Volt

Em 2017 já é seguro dizer que Jay Farrar perdeu a batalha contra Jeff Tweedy após o fim conturbado do Uncle Tupelo. O Son Volt jamais vai ter a relevância ou grana que o Wilco conseguiu em 23 anos de carreira. Mesmo assim, Farrar pode olhar para o passado recente e saber que conseguiu fazer um disco melhor do que os que Tweedy lançou nos últimos seis anos. O guitarrista e vocalista se inspirou em clássicos do blues para fugir um pouco do country rock pelo qual é conhecido.

Anything Could Happen do Bash & Pop

Na faixa homônima e que abre o disco, Tommy Stinson canta “Eu não quero desperdiçar seu tempo, não desta vez”. É uma promessa difícil de acreditar, já que ele passou toda a juventude se auto-sabotando ao lado de Paul Westerberg no Replacements e ajudou Axl a terminar Chinese Democracy quando sua primeira banda acabou. O segundo disco do Bash & Pop (o primeiro saiu nos anos 1990 com uma formação diferente) é cheio de riffs e melodias que não saem da cabeça.

No vídeo acima, ele tenta manter a fama de arruaceiro no programa Late Show, primeiro mandando o público levantar e depois brigando(provavelmente um ato combinado) quando o apresentador desliga os amplificadores da versão estendida de On The Rocks e quebra o vinil na frente de Tommy.

Cortes Curtos do Kiko Dinucci

Kiko Dinucci faz parte de tudo de melhor que tem acontecido na música brasileira nos últimos anos. Seja com o Metá Metá, parcerias com Juçara Marçal fora da banda e Elza Soares, ele fez de tudo. Foram estes mesmos trabalhos que o impediram de lançar seu primeiro “totalmente solo”(o disco tem participações de Juçara Marçal, Tulipa Ruiz e Ná Ozzetti), essa crônica sobre SP, que tem Transformer do Lou Reed como inspiração inicial, como ele contou ao Estadão em entrevista.

Kiko Dinucci - Foto: Gabriela Biló

Kiko Dinucci – Foto: Gabriela Biló

Fogos de Artifício do Motormama

Um disco curtinho, que acaba quando menos se percebe. O Motormama é daquelas bandas que seguem na ativa contra tudo e contra todos, mas que sempre quando lança algo novo não decepciona. É o caso de Fogos de Artifício. Aqui uma entrevista que eu fiz com o vocalista Regis Martins.

Pure Comedy do Father John Misty

O disco só chega no dia 7 de abril, mas, pelas músicas que ele já liberou, podemos esperar um dos melhores álbuns do ano. Sem exagero. Sem querer, ele fez uma das músicas mais ácidas contra a gestão Trump. Pure Comedy já estava pronto antes do fim das eleições e deveria servir mais como uma avaliação e constatação do momento atual, mas ele colocou imagens do atual presidente americano no videoclipe e a letra casa perfeitamente.