Replacements: de volta por demanda impopular
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Replacements: de volta por demanda impopular

A melhor banda que nunca aconteceu começa nesta quinta-feira em Seattle uma nova caminhada

Alexandre Ferraz Bazzan

09 de abril de 2015 | 16h18

Quando Paul Westerberg quebrou a guitarra ao final de Unsatisfied no festival Austin City Limits, todos especularam sobre o fim do novo voo dos Replacements. Foi bom enquanto durou e o instrumento despedaçado era um bom símbolo disso.

O Estadão antecipou, em entrevista com Peter Jesperson, ex-empresário da banda, que eles voltariam a se apresentar ao vivo. Possivelmente até gravar novas músicas. Uma improvisação de 24 minutos chamada Poke me in my cage parecia cumprir a segunda previsão de Jesperson, mas e quanto a novos shows?

Quando eles voltaram para arrecadar fundos com o intuito de ajudar o ex-guitarrista Bob Slim Dunlap, que sofreu um derrame, eles pareciam determinados a fazer algo não somente para aplacar o saudosismo dos fãs antigos, mas também mostrar a qualidade e importância da banda. Não faltavam advogados: Courtney Love, Craig Finn do Hold Steady, Ryan Adams(que mesmo sendo fã foi atacado por Westerberg em entrevista, outra história), Jeff Tweedy do Wilco, Brian Fallon do Gaslight Anthem e por fim Billy Joe Armstrong. O vocalista do Green Day não só saiu na capa da revista Spin elogiando os Mats (apelido da banda), como tocou guitarra em parte da turnê.

Os Replacements não seriam os Replacements se o anúncio de um novo tour não viesse de forma irônica e depreciativa. O nome da excursão, que por enquanto passa por EUA e Europa, é Back by unpopular demand, algo como “de volta por demanda impopular”.  Mais da metade dos concertos está com ingressos esgotados. Este é o caso do show desta noite em Seattle, no teatro Paramount, com abertura dos colegas do Young Fresh Fellows.

Foto: Reprodução - Pôster dos shows em Seattle e Portland

Foto: Reprodução – Pôster dos shows em Seattle e Portland

A lenda dos caras é tão grande que eles terão entre atos de abertura durante o giro de 2015 monstros do rock alternativo como John Doe (ator, compositor, poeta e guitarrista da banda X) e Superchunk. Não é pouca coisa.

Foto: Reprodução - Pôster dos shows de Los Angeles e São Francisco

Foto: Reprodução – Pôster dos shows de Los Angeles e São Francisco

A gravadora Rhino não perdeu oportunidade de lucrar com o revival da lenda de Minneapolis e está relançando este mês uma caixa com todos os discos da carreira dos caras. Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash (1981), Stink (EP de 1982), Hootenanny (1983), Let It Be (1984), Tim (1985), Pleased to Meet Me (1987), Don’t Tell a Soul (1989) e All Shook Down (1990) mostram a evolução dos Replacements de meninos punk, o baixista Tommy Stinson tinha apenas 13 anos quando eles se juntaram, ao mal sucedido rock de arena, até chegar nas baladas de cortar o coração que se transformariam na carreira solo de Paul Westerberg.

Mais uma vez repito a frase: “os Replacements não seriam os Replacements” se não tivessem publicado uma versão rasurada e “corrigida” tirando sarro do release da gravadora.

The-Replacements

Entre as brincadeiras está a não inclusão deles no Rock n’ Roll Hall of Fame, quando perderam para Cat Stevens e Kiss. Eles também cutucam a gravadora trocando “Rhino vai lançar” por “Rhino vai lucrar”.

Pela imprevisibilidade da banda, é impossível cravar o que acontecerá ao fim dos 14 shows marcados para 2015. Eles podem sair como heróis do rock independente e até compor novas músicas que aumentem a história já construída por eles, ou podem reforçar a fama de arruaceiros e incomodar quem pagou para ver os shows. De uma forma ou de outra, é quase impossível mudar a essência dos caras já que as duas coisas estão fortemente ligadas a eles e é o que faz os Replacements tão interessantes.

 

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