Quero ser seu Joey Ramone
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Quero ser seu Joey Ramone

Alexandre Ferraz Bazzan

02 Dezembro 2014 | 23h42

Sleater-Kinney está de volta. Depois de um longo tempo fazendo parte de uma porcaria de programa de TV e de ter criado o super grupo Wild Flag, Carrie Brownstein reformou um dos ícones do movimento riot grrrl. A banda de Olympia, cidade próxima a Seattle, disponibilizou duas novas músicas: Bury Our Friends e Surface Envy, ambas do disco No Cities to Love.

O revival dos anos 90 parece ter chegado às mulheres fortes do rock. Kathleen Hannah e o Bikini Kill foram retratados no documentário The Punk Singer de 2013 e até Courtney Love teve temporada movimentada. Além de “descobrir o paradeiro” do boeing desaparecido da Malaysian Airlines, a viúva de Kurt Cobain lançou duas canções inéditas e fez alguns concertos na Europa e Austrália. O clássico disco Live Through This, do Hole, também completa 20 anos e envelheceu muito bem. Em uma época onde meninas como as Pussy Riot são presas e agredidas, e Beyonce se auto-denomina ícone feminista, o reaparecimento destas artistas parece mais que oportuno.

Como o mais perto que cheguei do Sleater-Kinney foi ouvir Eddie Vedder cantar um trecho de Modern Girl em um show do Pearl Jam, compartilho a experiência de ver Liz Phair ao vivo.

A moda em 2008 era tocar discos ao vivo na íntegra. Bruce Springsteen fez isso, Echo and the Bunnymen, Primal Scream e quem quer que tivesse um álbum clássico. Em uma segunda-feira no Fillmore, em São Francisco, ocorreu uma grande reunião da geração X para matar a saudade de uma das cantoras mais legais da década de 90. Um rapaz mais novo com postura hipster dava um perdão condescendente a Liz explicando para a namorada: “Ela tinha se vendido, mas agora está de volta”.

Phair não decepcionou os espectadores. Depois de tocar Exile in Guyville na íntegra, ela ainda retornou para um bis perguntando “o que vocês querem ouvir?”. A plateia sugeriu algumas músicas, mas para várias delas a reposta era: “Não lembro os acordes”. Ela ainda contou sobre a lenda do disco: “É, eu passei o verão inteiro escutando Exile on Main Street e escrevi Guyville tudo de uma vez como uma resposta aos Stones”. Vestida com blusa de alça, jaqueta de couro, saia e meia calça, seu charme e carisma transbordavam o palco. As piadinhas entre uma música e outra seguravam os fãs melhor que qualquer comediante faria em uma performance stand-up. Talvez por isso meu primo tenha se apaixonado por ela. Ao fim da noite ainda ganhei um pôster que permanece pendurado aqui na parede de casa.

Poster do show de Liz Phair no Fillmore

Poster do show de Liz Phair no Fillmore

Duas notas não relacionadas:

1-Obrigado ao menino que acaba de ir ao supermercado de abadá. Melhorou muito minha autoestima.

2-Não façam como o Kramer. Se você não colocar gasolina, eventualmente, seu carro vai te deixar no meio da rua. True story.