Quarteto de um milhão de dólares
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Quarteto de um milhão de dólares

Alexandre Ferraz Bazzan

08 Janeiro 2015 | 11h35

Entre as mil e uma histórias que envolvem Elvis Presley, que faz aniversário nesta quinta-feira, 8, está a jam session realizada em dezembro de 1956 com Carl Perkins, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis. Perkins, que tinha conseguido sucesso com Blue Suede Shoes, foi ao estúdio da Sun Records em Memphis, no Tennessee, gravar material novo e a reunião entre os colegas, que tinham ido apenas assistir a sessão, aconteceu por acaso.

Da esquerda para a direita: Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Elvis Presley e Johnny Cash

Da esquerda para a direita: Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Elvis Presley e Johnny Cash

Blue Suede Shoes, curiosamente, liga três dos quatro astros do rock. A história que se conta é que Cash, enquanto servia o exército, costumava dizer: “Cara, não pise nos meus sapatos de camurça azul”. A frase virou o hit mais famoso de Perkins e Elvis fez o que parecia impossível, deixou a canção ainda mais conhecida fazendo sua própria versão dela.

Voltando ao quarteto… Elvis ficou tocando piano ao centro e os companheiros cantavam canções gospel em harmonia enquanto Perkins atacava no violão. O engenheiro de som, Jack Clement, pensou que seria muita burrice não eternizar o momento e apertou o rec no controle de som. Sam Phillips, o proprietário da Sun Records, ligou para um jornal local que registrou o encontro em uma foto e criou o termo “Million Dollar Quartet”. A lenda estava feita.

Há que se levar em conta que, na época, um milhão era uma quantia exorbitante. Apesar de Elvis e Perkins já serem cantores consolidados e Johnny Cash ter tido grande sucesso anteriormente nas paradas de estilo country, o menino Jerry Lee ainda era um músico contratado. Quando ele trocou de lugar com o rei do rock e começou a martelar o teclado, nem mesmo Elvis se atreveu a voltar ao instrumento, um verdadeiro corta barato(no bom sentido).

Veterano no Brasil. Em setembro de 2009, enquanto Obama enviava mais soldados ao Afeganistão, o último sobrevivente do quarteto desembarcava em São Paulo. Com 74 anos, ele faz 80 este ano, Jerry Lee Lewis caminhou até o piano arrastando os pés como se aquela fosse a última coisa que ele faria na vida. Uma vez sentado, suas mãos bombardeavam notas com uma eficiência muito maior do que qualquer caça americano.

O show teve menos de uma hora e, em boa parte, a duração foi prolongada pela banda que improvisou uma jam antes de Jerry Lee subir ao palco e depois de ele se despedir do público. Os músicos de apoio, também velhinhos, pareciam no auge da forma quando comparados com a “fera do rock”.  Era como ver Muhammad Ali contra Larry Holmes, você sabia que ele provavelmente não conseguiria, mas em todo caso você espera até o fim com respeito, vai que ele encaixa um direto, e ele conseguiu vários. Entretanto, ele não aguentou dez assaltos.

Com tempo sobrando, ainda consegui ir a uma festa e me reconciliar com uma antiga namorada, mas isso já é outra história.