Os 20 melhores documentários de música da década
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Os 20 melhores documentários de música da década

Charles Bradley, Amy Winehouse, George Harrison e Itamar Assumpção estão entre os artistas abordados

Alexandre Ferraz Bazzan

27 de novembro de 2019 | 22h33

Um bom documentário deveria ter alguma das seguintes coisas(de preferência todas): apresentação de um tema desconhecido, mas interessante ou novas informações sobre um tema já conhecido; boas entrevistas; material de arquivo relevante; edição e formato que saiam do óbvio das “cabeças falantes”.

Não consegui assistir a todos os documentários de música da década e ou posso não ter gostado de alguns dos seus preferidos. Segue a lista em ordem cronológica:

Rush: Beyond the lighted stage (2010)

Contemporâneos e artistas mais jovens descrevem a técnica e influência dessa banda que ainda hoje é lembrada mais como nerds de cabelo esquisito com um vocalista de voz fina demais.

Who Is Harry Nilsson (And Why Is Everybody Talkin’ About Him?) (2010)

Sem fazer shows, Harry Nilsson conseguiu construir uma carreira de sucesso global, abusou dos psicotrópicos disponíveis e ficou amigo dos Beatles. É uma história boa demais para não ser assistida.

Uma noite em 67 (2010)

O clima de fla-flu das “torcidas” dos festivais mostra um antagonismo que não existia necessariamente nos bastidores, já que muitos dos artistas colaboravam entre si. No final o que fica é uma máxima da Dilma invertida: Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo ganhar… porque é muita música brasileira boa nessa época.

George Harrison: Living in the material world (2011)

O longo filme de Martin Scorsese mostra um George ácido, que bate o pé nos assuntos que importavam para ele, e ao mesmo tempo muito doce e amigo. É impressionante como existe uma percepção equivocada do ex-beatle, mesmo ele tendo uma carreira solo brilhante.

Pearl Jam Twenty (2011)

Peark Jam Twenty é dividido em duas partes. Primeiro há uma árvore genealógica das origens da banda e depois os integrantes são dissecados como personagens separados, o que aumenta a empatia com cada um deles.

Daquele instante em diante (2011)

Os depoimentos emocionados e a atenção aos detalhes fazem deste documentário sobre o Itamar Assumpção uma obra deliciosa de assistir. Os materiais de arquivo também são extensos em um trabalho de pesquisa que o próprio filme mostra árduo.

Procurando Sugar Man (2012)

Esse vencedor do Oscar não só relembra um cantor obscuro dos anos 1970, como encontra ele quando todo mundo achava que ele estava morto. Depois disso, Sixto Rodrigues retomou a carreira e faz shows em vários países.

A band called death (2012)

Assim como Procurando Sugar Man, A band called death vai atrás de um grupo de irmãos que cozinharam um proto punk antes mesmo de MC5 e Stooges. A Death, como Rodriguez, voltou a fazer shows e passou até pelo Brasil.

Charles Bradley: Soul of America (2012)

Esse é um dos meus preferidos. A câmera segue a saga de um homem de 62 anos para lançar seu disco de estreia após ser duramente castigado por uma vida de pobreza.

Big Star: Nothing can hurt me (2012)

O Big Star merecia um reconhecimento maior e esse documentário é um passo para isso. A banda de Memphis fez um dos sons mais agradáveis do power pop e com letras que iam do amor juvenil até questões existenciais. Infelizmente, apenas Jody Stephens permanece vivo.

A música segundo Tom Jobim (2012)

É um dos últimos trabalhos de Nelson Pereira dos Santos, um dos principais diretores do Cinema Novo. O filme é um belo apanhado de vídeos que destacam o quanto Tom Jobim é importante para o mundo. Um clipe de Judy Garland indo às lágrimas ao cantar Insensatez(How Insensitive) emociona até o mais frio dos corações.

A um passo do estrelato (2013)

Sabe a voz incrível que faz dueto com Mick Jagger em Gimme Shelter? O nome dela é Merry Clayton e ela e muitas outras cantoras acabam trabalhando como contratadas ou assalariadas em grandes bandas.

Mistaken for strangers (2013)

O vocalista do The National, Matt Berninger, tem um irmão menos bonito, menos famoso e menos talentoso. Esse irmão embarca em uma turnê da banda com o pretexto de fazer um documentário, mas acaba sendo um estorvo para todo mundo, ao ponto de Matt mandá-lo de volta para casa. Obviamente ele consegue terminar o documentário.

The punk singer (2013)

Kathleen Hanna tem uma história complexa. Ela cunhou a frase “Kurt smells like teen spirit” e nem por isso viveu na sombra do Nirvana. Construiu um legado importante com duas bandas e lutou contra problemas de saúde. De quebra, influenciou o marido Adam Horovitz, dos Beastie Boys, em questões como igualdade e feminismo.

Filmage: The story of The Descendents/All (2013)

Eles praticamente inventaram o punk pop. Filmage mostra os perrengues que qualquer banda independente passa, a decisão de Milo de virar um biólogo quando os Descendents já eram respeitados, a criação do All do zero. Junte a tudo isso um tumor na cabeça do baterista e força criativa das duas bandas Bill Stevenson.

Pulp: A Film About Life, Death and Supermarkets (2014)

O Pulp, o retorno da banda e o impacto dela em Sheffield. Tudo isso contado de uma forma existencialista… ah e o Jarvis Cocker trocando um pneu.

Nick Cave: 20.000 dias na Terra (2014)

O documentário mostra as gravações do disco Push the Sky Away e também Cave lidando com algumas figuras do passado. Algumas cenas são claramente encenadas, mas elas não atrapalham a parte documental.

Heaven adores you (2014)

Além de contar a história de Elliott Smith, o documentário resgata um segredo pouco conhecido. Miss Misery, indicada ao Oscar de Canção Original, foi composta antes de o filme O Gênio Indomável existir.

Amy (2015)

Amy consegue mudar completamente a imagem construída pela mídia internacional sobre a cantora e isso é uma grande coisa. Relatos de amigos, produtores, colegas da música e até de um segurança pessoal mostram uma menina tímida com um talento acima da média que tinha problemas físicos e afetivos para além das drogas e teve pouca ajuda(para não dizer muito atrapalho) da família e do ex-marido.

Gimme Danger (2016)

A impressão que fica é que esse documentário deveria ter sido lançado nos anos 1970, mas ele não deixa de contar boas histórias dos Stooges, banda considerada uma das origens do punk e que lançou Iggy Pop. Uma das minhas partes favoritas é quando, já ao final, Iggy é questionado em um programa de entrevista sobre sua contribuição para a música e ele responde sem titubear: “Eu destruí os anos 1960”.

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