Origens do Lollapalooza
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Origens do Lollapalooza

Apesar dos atuais artistas pop, festival começou calcado na contra-cultura

Alexandre Ferraz Bazzan

26 Março 2015 | 10h40

O festival foi o mais perto que a década de 90 teve de um Woodstock, com uma grande diferença. Ao invés de todos se dirigirem a um lugar, foi o evento que funcionou de forma itinerante. Perry Farrell queria fazer uma despedida digna para o Jane’s Addiction, mas o negócio deu tão certo que durou mais tempo que a banda.

A primeira edição contou com a participação de artistas como Nine Inch Nails, Siouxie and the Banshees, além do Jane’s. A organização também abriu espaço para o rap, outras performances artísticas e discussão política. Em 1992, o grunge já tinha explodido. Pearl Jam e Soundgarden engrossaram o caldo e a turnê do Lollapalooza foi considerada uma das intervenções musicais mais divertidas do ano.

Foto: Reprodução - Trent Raznor canta em 1991 com o Nine Inch Nails

Foto: Reprodução – Trent Reznor canta em 1991 com o Nine Inch Nails

A volta do festival coincide com a reunião do Jane’s Addiction. Farrell tentou manter o caráter itinerante, mas, sem sucesso, fixou o evento no Grant Park em Chicago. Em 2011, ele passou a rodar outros lugares do mundo. A primeira versão brasileira aconteceu em 2012, e contou com Foo Fighters, Arctic Monkeys, Racionais MCs, Jane’s Addiction, O Rappa, entre outros artistas.

 

Não existe guia definitivo para o rock n’ roll

Por mais que os fãs de Pharrell possam achar, o festival não começou ontem e tem suas raízes no rock e na contra-cultura. O Farrell responsável pela bagunça é outro, sem “PH”. Tudo bem, ele se tornou um monstro comercial da indústria de shows, mas criar um manual de comportamento é a coisa mais patética que pode existir. O rock, desde seu início, se baseou na quebra de regras e mudança de comportamento social. Aliás, qualquer manual de comportamento é ridículo por si só.

Os anos 90 fizeram o favor de popularizar algo chamado “mosh pit”, então, saiba que esse tipo de evento vai ter empurra-empurra, não existe lugar marcado, não é uma ópera. Se você não quiser consumir álcool e outras substâncias, não corte o barato dos outros, e vice-versa.

A música não deveria ser um commodity que vale mais ou menos de acordo com a oferta e demanda. Dizer que é preciso dar preferência aos gringos porque os brasileiros estão sempre por aqui é um tremendo desprestígio com os artistas nacionais. Prefiro ir a mil shows da Pitty do que meio do Alt-J. Um amigo disse que o Alt-J poderia adormecer uma manada selvagem de búfalos raivosos, e eu assino embaixo. É uma pena que não tenhamos mais bandas nacionais disputando espaço com os estrangeiros, mas saibam que elas estão entre as melhores atrações do Lollapalooza 2015. Vale chegar cedo para ver Boogarins, o Terno, Baleia, Mombojó.

O Eddie Vedder brincou com o público em 1992. Um negócio chamado ironia, e que era bastante usado na época. Pode se divertir, beber e queimar a largada.

Ah, tudo bem tirar fotos com ou sem óculos escuros, mas vê se não vai gastar 700 reais apenas para renovar o perfil do Facebook. Lembre-se de assistir aos shows.

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