O rock não morreu, ele virou hip-hop
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O rock não morreu, ele virou hip-hop

A cultura negra reconquistou o que saiu do blues e do bop, e não é de hoje; ou seja, o que era seu de direito

Alexandre Ferraz Bazzan

26 Março 2015 | 20h02

Nos anos 1960, um dos maiores medos das famílias é que as filhas chegassem em casa com um Rolling Stone. Hoje não existe nada mais seguro, provavelmente o sogro vai até emprestar seu exemplar da autobiografia de Keith Richards para um genro roqueiro. Com frequência perguntamos o que foi feito do perigo, da atitude, das mudanças sociais e de comportamento geradas pelo rock.

Foto: Reprodução - Me pareceu apropriado colocar Robert Johnson para ilustrar, já que ele começou tudo depois de vender sua alma

Foto: Reprodução – Me pareceu apropriado colocar Robert Johnson para ilustrar, já que ele começou tudo depois de vender sua alma

O rock morreu? Estaria ele velho e em um asilo? Agonizando em uma cama de hospital? Nada disso. O queixo erguido, o dedo na ferida, tudo isso está aí e não vê quem quer. Para cada Mick Jagger ou Kurt Cobain, existe um Chuck D e um Tupac. Se Run DMC é o Led Zeppelin com dois toca discos, Earl Sweatshirt é o Elliott Smith.

Por ser eternamente censurado, perseguido, criminalizado, o rap sempre veio com um microfone em uma mão e um punho cerrado. Tudo para ser ouvido. Para se ter ideia, um dos principais cantores do estilo no Brasil, passou mais de uma década na cadeia. As noites viradas atrás das grades dos Stones não são nada comparadas ao tempo em que Dexter ficou recluso. Nos EUA, a terra da liberdade, rapers eram censurados cotidianamente com o estouro do NWA, Snoop Dog, Tupac, Big, Dr. Dre e outros. Isso para não falar da declaração de George W. Bush em relação a Eminem.(O presidente caubói disse que Eminem era a maior ameaça ao país desde o polio(pronto falei))

Eu não gosto das coisas, eu não saio de casa

Earl Sweatshirt talvez tenha trazido ao hip-hop a face que faltava. O som introspectivo do rapper californiano pode ser comparado ao que existe de melhor no lo-fi do rock. As rimas são, de modo geral, sussurradas, e os temas de suas letras são muito mais pessoais e depressivas do que qualquer levada do rap.

Se o clima já era sombrio em Doris, em seu novo disco, I Don’t Like Shit, I Don’t Go Outside, Earl aprofunda ainda mais sua persona soturna. Bom, é difícil ser mais depressivo do que Burgundy, mas ele tenta bastante neste álbum, e o resultado é incrível. Ouça I Don’t Like Shit, I Don’t Go Outside na íntegra aí em cima e Burgundy(com a letra) logo abaixo:

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